Esta nova recolha de inéditos de Roberto Bolaño (depois de O Espírito da Ficção Científica) reúne três narrativas exemplares: «Pátria», «Sepulcros de cowboys» e «Comédia do horror de França».

Na primeira, o poeta Rigoberto Belano (onde não é difícil ver o próprio nome do autor) pondera os efeitos do golpe de Estado do Chile, nomeadamente na sua família: a mãe perdeu o  mprego de professora, o irmão foi torturado e a irmã passou a sofrer de depressão. Em «Sepulcros de cowboys», um jovem chamado Arturo (que é um alter ego do escritor, protagonista de Os Detetives Selvagens e narrador de 2666) viaja do Chile para o México e o Panamá e daqui de volta ao Chile, de barco; durante esta viagem, pede a um dos passageiros, um padre jesuíta, que leia a história de ficção científica inacabada, que tinha vindo a escrever, sobre uma invasão de formigas extraterrestres. Finalmente, em «Comédia do horror de França», o jovem poeta Diodoro Pilon junta-se a uma misteriosa organização, o Grupo Surrealista Clandestino, que recruta novos membros através de chamadas aleatórias para cabines telefónicas em todo o mundo. Provenientes de uma época em que Roberto Bolaño ainda «ensaiava» aqueles que viriam a ser os seus mais icónicos romances, estes escritos revelam já os grandes temas e as personagens que deram vida a toda a sua obra posterior.

Roberto Bolaño nasceu em 1953, em Santiago do Chile. Aos quinze anos mudou-se com a família para a Cidade do México. Durante a adolescência leu vorazmente e escreveu poesia. Fundou com amigos o Infrarrealismo, um movimento literário punk-surrealista, que consistia na  provocação e no apelo às armas» contra o establishment das letras latino-americanas. Nos anos setenta, Bolaño vagabundeou pela Europa, após o que se instalou em Espanha, na Costa Brava, com a mulher e os filhos. Aí, dedicou os últimos dez anos da sua vida à escrita. Fê-lo febrilmente, com urgência, até à morte (em Barcelona, em julho de 2003), aos cinquenta anos. A sua herança literáriaé de uma grandeza ímpar, sendo considerado o mais importante escritor latino-americano da sua geração – e da atualidade. Entre outros prémios, como o Rómulo Gallegos ou o Herralde, Roberto Bolaño já não pôde receber o prestigiado National Book Critics Circle Award, o da Fundación Lara, o Salambó, o Ciudad de Barcelona, o Santiago de Chile e o Altazor, todos atribuídos a 2666, unanimemente considerado, juntamente com Os Detetives Selvagens, o maior fenómeno literário das últimas décadas.

Nota de Imprensa da Quetzal.