Gostava de ser daquelas pessoas que começam o seu dia a ler os jornais do dia. Em papel, claro, acompanhado por um café e uma torrada. A realidade é diferente. Começo quase sempre o meu dia com um café e uma olhadela rápida pelas "gordas" dos jornais online ou por uma passagem rápida pelo BlueSky, a rede social a que me juntei quando desisti de vez do Twitter. Não me chega saber que estou viva, que os meus estão bem (ou já me teria chegado um telefonema/sms) preciso saber que o mundo continua a existir. Preciso da ilusão de estar informada, apesar de ter a noção que o périplo rápido que faço pelos jornais online não me permite estar, de facto, informada. É curioso como numa era de informação é cada vez mais difícil estar efectivamente informada. Os jornais são compostos, na sua maioria, por artigos de opinião - que são parciais, incompletos e com o objectivo de nos condicionar. O tempo do online não se compadece e não respeita o tempo do jornal diário, que tem que se reinventar todos os dias. Na era da desinformação é cada vez mais difícil confiar no que lemos e até no que vemos e ouvimos. Numa era em que a concentração se torna um problema, nem sempre temos o tempo e a capacidade esforço necessários para fazer a "verificação dos factos" e não nos deixarmos engrupir . Era tão mais fácil começar o dia a ler um jornal que, de facto, me informasse sobre o país e o mundo, sem nuances nem zonas cinzentas; com factos e sem opiniões, que essas, são como as cerejas, puxamos por uma e vem outra atrás.

E por falar em concentração, como anda o v/ tempo longe dos ecrãs? O tema continua na ordem do dia e presumo que vá continuar por muito tempo. Escolas com ou sem telemóveis e o dano que o tempo passado agarrados ao ecrã  provoca nos miúdos (e nos graúdos) continuará a fazer correr tinta nos jornais e palavras nos ecrãs. E bem. Começam a surgir estudos sobre o assunto e a grande maioria parece ser unânime: o que é demais não presta. Eu tenho, como todos, uma opinião (ou muitas sei lá) mas nenhuma certeza. Não tenho por hábito ser velha do Restelo e não acho que "no meu tempo é que era bom". No meu tempo não usávamos cinto de segurança no carro e todos tivemos amigos que morreram em acidentes . A obrigação de uso de cinto de segurança foi das melhores decisões já tomadas nesse campo. Por outro lado não sou nada a favor de proibições , na maioria das vezesnão levam a lado nenhum. Mas voltando ao exemplo do cinto de segurança, tenho que admitir que não é bem assim, às vezes é necessário que algumas decisões menos simpáticas sejam tomadas. Uma coisa eu tenho a certeza: se nós adultos não conseguimos estar longe dos telefones durante algumas horas (e não se iludam, não conseguimos - e não vale agarrar no tablet ou no computador) vai ser extremamente difícil dizer aos miúdos "vocês não podem usar porque é melhor para vocês". Somos os reis da hipocrisia com o "faz o que digo e não faças o que eu faço". Nas últimas semanas tenho tentado poupar bateria do telemóvel que, é como quem diz, pô-lo num canto da casa e não me aproximar. E admito que nem sempre é fácil. E eu cresci sem esta coisa do demo, habituei-me desde sempre a passar horas a ler (às vezes deitada no sofá ao contrário, com as pernas para cima, porque já não tinha posição) e ainda assim a coisa não é fácil, a mão foge-me e dou por mim a espreitar as "novidades". Não sei, acho que precisamos arranjar estratégias, pensar diferente (bem, "pensar" já não é fácil hoje em dia), abordar este assunto sem preconceitos (lembram-se eu ter dito que os telemóveis são "coisas do demo"? não são nada, dão imenso jeito e têm n coisas positivas) e tentar ser mais inteligente. A TV tb nos ia matar a todos e agora uma boa parte das pessoas nem sequer tem uma.