03

Mai21

Maria do Rosário Pedreira

Nem sei explicar bem porque adiei tanto tempo a leitura de um livro que, mal saiu lá fora, me chamou a atenção: não pelo título (O Ano do Pensamento Mágico) que, assim a seco, até pode conduzir a uma ideia errada, mas porque tratava da morte e da saudade de alguém muito próximo e cúmplice (na verdade, o marido da autora, a jornalista e escritora Joan Didion, ao fim de 40 anos juntos!) e da quase impossível superação dessa ausência. Mas, além dessa temática, sobre a qual gosto mesmo de ler (e por isso adoro alguns livros do querido Julian Barnes), sabia que este belo livro não tinha ponta de lamechice (como acho que tem, por exemplo, Paula, de Isabell Allende, que li há mais de vinte anos e fala da morte da sua filha) e era até um livro culto e com bastantes referências literárias. Bem, a minha irmã emprestou-mo e finalmente devorei-o. E é também muito útil para nos mostrar que a vida pode ser sempre pior (quando começa o texto, a filha de Joan Didion está nos Cuidados Intensivos com uma infecção generalizada em coma e, portanto, a escritora precisaria ao seu lado mais do que nunca do marido quando este, inesperadamente, sucumbe a um enfarte). Aconselho vivamente. Uma lição de vida e um objecto literário bastante raro.