Elio Pecora, nascido em Sant'Arsenio, Salerno, em 1936 é um poeta, romancista, ensaísta e dramaturgo italiano. Viveu em Nápoles até à adolescência e aos trinta anos parte para Roma onde vive até hoje. A sua obra poética inclui os títulos La chiave di vetro. Bolonia: Cappelli, 1970, Motivetto. Roma: Spada 1978, L'occhio mai sazio. Roma: Studio S., 1985, Interludio. Roma: Empiria, 1987 y 1990, Dediche e bagatelle: Roma, Rossi & Spera, 1990, Poesie 1975-1995. Roma: Empiria 1997 y 1998, Per altre misure. Génova: S. Marco dei Giustiniani, 2001.
Em Portugal foi agora publicado Poemas Escolhidos, uma antologia de Elio Pecora com tradução de Simonetta Neto e introdução de Maria Bochicchio. Foi de lá que retirámos estes dois poemas:
CONFIDÊNCIA
Espera-me no espelho
como num velho conto de desconfiada loucura,
raramente me olha
porém, conheço bem o desprezo que alterna com o medo,
estamos juntos ab initio
decerto estaremos até ao extremo encerramento
quando voltarmos a partir
rumo àquele nada que a nós, como a todos, toca.
De vez em quando o esqueço
e, ao andar, torna-se leve e contente o percurso,
mas cedo o ignorado
volta a contar os passos, a tirar o fôlego;
vi-o, apetrechava-se
de esperanças algo dúbias, de prémios baratos,
quando bastava
ministrar-se as ânsias e os desejos nunca calados.
Da vez em que tentei deixar o quarto do seu triste segredo
entreabriu a porta
e mostrou-me, num ápice, apenas areia e cinza.
Atravessar a dor
como um quarto escuro
contando os passos, os fôlegos.
Procurar no fechado
um buraco, uma fenda,
para que não seja memória
mas presença
naquela ausência a luz.
À saída saber
que é preciso voltar.
E a alegria ainda
à espera do assalto.
Elio Pecora
in Poemas Escolhidos, tradução de Simonetta Neto, Quasi, 2008

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