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Nov24
Maria do Rosário Pedreira
Quando pensamos na palavra «organização», pensamos numa coisa arrumadinha, no seu lugar, quieta, imóvel. E, porém, «organizar» tem, curiosamente, a mesmíssima raiz da palavra «orgasmo», que é tudo menos uma sensação organizada, provocando espasmos, contracções, explosões de seiva, tremores, calafrios e sacões dos pés à cabeça; enfim, não vale a pena ser exaustiva, quem já teve sabe como é – e sabe que não tem nada de organizado. Mas como se dá então esta afinidade etimológica? Investiguei e descobri que «organizar», na base, quer dizer qualquer coisa como «dispor de forma a tornar apto à vida» ou «dotar de um órgão»; e, lá está, sem órgão, feminino ou masculino, não há «orgasmo». Tudo se explica, não é verdade? Fiquemos então a saber que o vocábulo «orgasmo», no tempo de Hipócrates, estava relacionado já com um «órgão pleno de seiva» e que, mais tarde, em França, significava, vejam lá, «um vivo acesso de cólera»... Um dicionário bom é uma excelente companhia. Bom fim-de-semana, com ou sem orgasmos.