Fotografia da minha autoria

«Uma história de fascínio, amizade e amor mútuos»

Avisos de Conteúdo: Depressão, Suicídio, Violência doméstica, 

Negligência parental, Relações abusivas

As relações humanas conseguem ser complexas, porque temos todos maneiras distintas de encarar a vida e porque nem sempre nos encontramos no mesmo nível de compromisso. Portanto, é nesta ambiguidade que nos movimentamos, fortalecendo laços que nos complementam. No entanto, por mais que tentemos que resultem, há ligações que se revelam pouco saudáveis: como a que conhecemos no livro de Sally Rooney.

«Receia ficar sozinho com ela como está agora, mas também 

imagina coisas que lhe poderia dizer para a impressionar»

Pessoas Normais conta-nos a história de um casal adolescente, que tanto procura crescer em sintonia, como tenta distanciar-se, compreendendo a dificuldade que se encerra nesse passo. Porque, por maiores que sejam as diferenças, existem sentimentos inquebráveis. Com uma narrativa coesa, que nos embala em várias sensações, emoções e traumas, é percetível que esta relação reflete o impacto de uma comunicação débil, que constrói inúmeras barreiras e que acaba por condicionar o lado mais sóbrio e puro das nossas interações.

«Nunca acreditou que fosse possível ser amada por alguém»

Creio que este retrato não se esgota no plano literário. Antes pelo contrário, é muito fidedigno ao contexto real. E, como tal, divide-se por temas de máxima importância: saúde mental, violência doméstica, depressão, monoparentalidade, manipulação e a mudança de identidade [para corresponder às necessidades dos demais]. Além disso, é interessante verificar como, durante o desenrolar da ação, há uma inversão de papéis. Por entre falhas e acertos, medos e frustrações, sentimos o desconforto de certas situações, porque é tudo credível.

«Eu perdoo-te, disse»

Confesso, apesar de tudo, que não me revejo na abordagem dos protagonistas, atendendo a que considero demasiado precioso manter um diálogo franco com aqueles que amamos. Não obstante, é esta filosofia que os permite crescer, uma vez que se veem forçados a assumir compromissos, a gerir feridas passadas e a entender qual o caminho que pretendem seguir e que tipo de relacionamento querem manter. É por essa razão que a ligação entre ambos tem tanto de natural, como de complicada: porque se estão a descobrir como indivíduos e como casal. E, não tão raras vezes assim, são os silêncios que influenciam as suas atitudes.

«Espero que possamos apoiar-nos sempre um ao outro»

Pessoas Normais mostra-nos as consequências de um amor codependente, submisso, e dos elos familiares disfuncionais. Em simultâneo, alerta-nos que a química sexual é fundamental, porém, uma relação sólida vai muito para além desse fator. E, sobretudo, leva-nos a repensar o verdadeiro significado de amar e ser amado.

«O mundo será um lugar tão preservo que o amor não se 

distinga das formas mais abjetas e mais ultrajantes de violência?»

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