01

Fev22

Maria do Rosário Pedreira

Já me tinham falado várias vezes de uma jovem escritora irlandesa, Sally Rooney, creio que sobretudo a propósito de um romance chamado Gente Normal, a partir do qual fizeram uma série televisiva de grande sucesso que, por acaso, até vi e achei interessante, na medida em que de uma história em que se passa muito pouca coisa se consegue criar uma cumplicidade electrizante com o espectador. Não querendo ir a esse livro enquanto não me esquecer do que vi (na minha idade, as coisas evaporam-se rapidamente e assim leio esse romance mais virginalmente), escolhi um outro da mesma autora chamado Conversas entre Amigos que, para ser completamente sincera, ao princípio me pareceu bastante banal, mas, lá está, ao fim de umas cinquenta páginas começou a densificar-se e, sobretudo nesta segunda parte que estou a terminar, a tornar-se muito mais aliciante (vem aí dor e mais dor, quase de certeza...). O título não engana e o romance trata das relações de um grupo de amigos (sobretudo duas raparigas na casa dos vinte, universitárias, e um casal um pouco mais velho e bem na vida) que parecem muito permissivos e abertos até ao dia em que uma paixão de uma das raparigas, a narradora, pelo marido da amiga mais velha vem chocalhar um pouco as ligações entre todos. É uma aprendizagem também sobre como as novas gerações olham para os relacionamentos amorosos e os casamentos, sobre a mentira, a traição, o amor, o ciúme e a inteligência como forma de atracção. Espreite-se, espreite-se.