02
Jul10
Maria do Rosário Pedreira
Hoje, no mundo editorial, debatemo-nos muitas vezes com um problema: quando nos enviam livros demasiado curtos, hesitamos sobre se devemos ou não considerá-los para publicação. Os livros pequenos desaparecem nas livrarias, onde todos os dias se acumulam títulos novos, muitos deles autênticos calhamaços, que logo os escondem; e, ao mesmo tempo (com a excepção da poesia), os leitores parecem preferir dar dinheiro por alguma coisa que se veja a gastá-lo em meia dúzia de páginas que, até chegarem a casa – se a viagem for de metro ou autocarro –, já estarão lidas. Mas, se calhar, devíamos emendar a mão, porque há textos curtos que são verdadeiras obras-primas. Lembro-me, a este propósito, de A Comunidade, de Luiz Pacheco, que é das coisas mais belas que li em toda a vida e possuo numa edição pobre, agrafada, nem sequer bem impressa. Mais tarde, comprei outra, ilustrada julgo que pela Teresa Dias Coelho, que ofereci a alguém de quem devia gostar muito. Neste livro com meia dúzia de páginas, há mais literatura do que, por vezes, se encontra na obra inteirinha de um autor. Ou de vários.