Sou admiradora do Ian McEwan. É que este autor já escreveu 17 livros (fora contos e peças de teatro e outras coisas), os livros não têm nada a ver entre si e são sempre bons (pelo menos, os que já li). E este não foi excepção.
Em «A balada de Adam Henry» temos uma juíza do Supremo Tribunal, que julga casos do Tribunal de Família como, por exemplo, quando um casal se separa e o marido é muito religioso (numa daquelas religiões em que as raparigas deixam de estudar com 16 anos para se dedicarem à lida da casa e a parir) e a mulher não é nada religiosa e não se conseguem decidir em relação à educação da filha, pelo que o caso acaba a ser decidido pelo tribunal.
No centro da história, está o caso de Adam Henry, um rapaz com 17 anos (quase maior de idade) com leucemia que precisa de um tratamento que provoca uma anemia severa que tem de ser combatida com transfusões sanguíneas para lhe salvar a vida. No entanto, o rapaz recusa qualquer transfusão por ser testemunha de Jeová.
Os médicos apresentam o caso ao tribunal a pedir que seja permitido o tratamento e as transfusões. Os pais contrapõem que não querem que seja realizada qualquer transfusão pela sua religião.
Até que ponto é que um juiz pode decidir contra (ou a favor) dos pais? Até que ponto o estado se pode sobrepor à decisão dos pais e do próprio rapaz?
Além disso, a própria juíza, depois de anos a julgar casos de famílias alheias, tem a sua própria família a colapsar em casa.
Enfim, o livro é curtinho mas levanta questões importantes, eu gostei muito e até foi adaptado a filme.
