Fotografia da minha autoria

«Trago sempre no peito o que contigo aprendi»

A música é uma das constantes da minha vida. Cá em casa, há sempre playlists e álbuns para acompanhar vários momentos da rotina e não perco a oportunidade de me cruzar com novas sonoridades, por isso é que, todas as sextas, vejo os lançamentos no Spotify, porque é uma forma de manter perto vários artistas.

No fim, compreendo que crio uma autêntica manta de retalhos, com vozes e géneros distintos, mas é este registo que funciona comigo, já que consigo ir alternando consoante a predisposição. Acho mesmo enternecedor como um tema nos emociona, como um disco muda o nosso estado de espírito. É através da música que também encontro guarida para as minhas emoções. Portanto, estreito sempre laços com esta arte.

Em traços gerais, o meu 2023 soou assim:

🎧 Géneros mais ouvidos: Pop Português, Indie Português, Hip-Hop Tuga, Pop e Rock Português;

🎧 Ouvi 1735 músicas, mas a mais ouvida foi A Festa, do Edmundo Inácio, com um total de 121 streams;

🎧 Top 5 das músicas mais ouvidas: A Festa (Edmundo Inácio), Lugar Certo (Iolanda), Carro (Bárbara Bandeira & Dillaz), 1 Casa 2 Portões (Filipe Karlsson) e Do Avesso (Inês Marques Lucas);

🎧 Minutos de audição: 42 050;

🎧 Artista mais ouvido: Richie Campbell (1191 minutos de audição);

🎧 Outros artistas no pódio: Bárbara Tinoco, Iolanda, Carolina Deslandes e Eu.Clides.

Fiquei surpreendida com alguns dados, outros foram óbvios. Por isso é que gosto de ver o Spotify Wrapped. Para complementar a aventura, decidi destacar músicas soltas e os álbuns que marcaram o meu ano.

 as músicas

🎧 Chakras, Ivandro & Julinho KSD;

🎧 Underwater, Frankieontheguitar, Van Zee & Diogo Piçarra;

🎧 Carro, Bárbara Bandeira & Dillaz;

🎧 Teu, Diogo Piçarra;

🎧 Maçã, Rita Costa Medeiros.

 os álbuns

🎧 Caos, Carolina Deslandes
A mistura de sonoridades e abordagens permite-nos conhecer um lado mais intimista e desfragmentado da Carolina, porque também é importante conversar sobre mágoas, fragilidades e feridas amorosas. Neste caos que, por vezes, é a vida, a cantautora entregou um disco «raivoso», vulnerável, honesto e poderoso.

🎧 Heartbreak & Other Stories, Richie Campbell
A fusão entre R&B, Dancehall e Afrobeats, na qual Richie Campbell brilha, abre-nos a porta para cantarmos sobre amor, desgostos e valorização pessoal. Não obstante, também reserva espaço para uma crítica social atenta. A sua identidade musical é inconfundível, mas sente-se o crescimento do último álbum para este.

O nome do álbum é bastante elucidativo da viagem sonora que nos espera, porque os temas que o integram «fazem parte de um processo de cura», fazem parte desta jornada frágil e melancólica que podem ser as relações amorosas. Portanto, o disco é a sua catarse, a despedida e a emancipação. Mesmo que demore.

Uma jornada de altos e baixos, cheia de movimentos oscilantes e de descoberta. Com uma sonoridade mais introspetiva, espelha desafios pessoais, fazendo deles a sua rampa para lidar com situações de maior ansiedade. Nestas canções tão distintas e complementares, conhecemos um pouco mais da sua história.

Bichinho foca-se em várias etapas das relações humanas, independentemente da sua natureza, por esse motivo, tem tanto de catártico, como de esperançoso. Consegue ser ternurento, amoroso, mas também visceral. E demonstra bem que nunca seremos um só traço: existem inúmeras versões que nos habitam (aqui).

Este álbum é um desafiar de limites, de transpor fronteiras. É uma ponte que nos traz mais vivacidade e cor à banalidade dos dias. Há muita alegria e identidade portuguesa nestas músicas, o que também nos leva numa viagem intemporal. Feito, também, de contrastes, não nos faltam razões para refletir e, sobretudo, para dançar.

O título é explicativo por si só, uma vez que, neste álbum, Milhanas explora todas as suas sombras, todos os seus lamentos. O suposto não é ser uma ode à tristeza, mas, antes, um autorretrato, por isso é que se torna tão relacionável. Feito de verdade, nesta voz cheia que arrepia, é para ser descoberto de peito aberto.

Não posso deixar de reforçar que me sinto sempre plena a ouvir Os Quatro e Meia. Já que não pude estar presente neste concerto, ter acesso ao álbum que dele surgiu é maravilhoso para atenuar distâncias.

O álbum do ano, sem qualquer hesitação, para mim. Numa ode à sua - nossa - geração, explora novos recantos musicais, influências do passado que nos pesam e/ou que nos impulsionam e ajudam a contar a nossa história. Tem sido companheiro diário, porque, fazendo sobressair as suas raízes, abraça-nos a todos.

Uma transição entre a casa e o mundo, entre aquilo que nos deixa confortáveis e nos inspira a arriscar. São 21 temas para descobrirmos, 21 temas que procuram traçar identidade e inovação, num equilíbrio perfeito.

Que músicas/álbuns marcaram o vosso ano?