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| Fotografia da minha autoria |
«Raparigas que gostam de futebol e outras conversas»
A minha personalidade introvertida faz-me permanecer nos bastidores. Não só porque dispenso ser o centro das atenções, mas também porque careço de habilidade para conversas de circunstância, inibindo-me de estabelecer mais contactos sociais. No entanto, por muito que aprecie estar na minha bolha, levanto a barreira caso, do outro lado, o retorno me deixe confortável. E, assim, lancei-me sem rede, aceitando o convite para uma experiência nova - e que nunca imaginei abraçar.
SER CONVIDADA DE UM PODCAST
Foi num misto de pânico e entusiasmo que me comprometi a participar no Crise de Identidade, o podcast da Sofia Costa Lima [A Sofia World]. Mesmo perante todo o meu nervosismo, só lhe poderia dar uma resposta positiva, visto que é uma das pessoas que mais me inspira e, além disso, porque me revejo no propósito do seu projeto. Portanto, acalentando a velha máxima do «e se der medo, vai com medo mesmo», agendamos uma data e permitimos que o Zoom encurtasse a distância.
OS MEUS RECEIOS
Creio que o principal receio ao aceitar o convite era o de não estar à altura; de me atrapalhar no discurso e não conseguir manter uma conversa fluída e, inclusive, apelativa o suficiente para que a Sofia tivesse margem de manobra e para que os outros quisessem escutar. Se calhar, porque penso demasiado e, inconscientemente, coloco pressão onde ela não tem de existir. Em simultâneo, acredito que este receio acresceu porque estava a contribuir para um trabalho que não é o meu.
Lido bem com o facto de uma iniciativa minha não corresponder ao que idealizei, mas incomoda-me pensar que não fui capaz de ser relevante para quem, de braços abertos, me acolheu em sua casa. Ainda para mais, quando quero que a pessoa tenha o maior sucesso possível em tudo aquilo a que se propuser. Mergulhada nestes devaneios, respirei fundo e fiz o que sei fazer melhor: desconstruir e falar com o coração.
Numa manhã de domingo, desembaracei-me desses medos infundados e embarquei na aventura ciente que, do lado de lá da vídeochamada, teria alguém que partilha o meu dialeto. Por isso, só podia correr bem.
E CORREU?
Sem qualquer dúvida, modéstia à parte. Aliás, a julgar pela duração do episódio - e pelo tempo que estivemos à conversa no pré e no pós gravação -, compreendi que não havia qualquer motivo para estar em pânico. Eu e a Sofia não nos conhecemos pessoalmente, mas fiquei com a sensação que estava numa conversa de café com alguém que já faz parte da minha fortaleza, há anos. Quem diria que duas pessoas tão pouco faladoras iriam partilhar inúmeros pensamentos e pontos de vista?
Parecia improvável, mas aconteceu e nem dei pelas horas a avançarem. Por oposição, dificilmente esquecerei esta experiência fantástica, que me levou a sair da minha zona de conforto e a crescer um pouco mais.
TEMAS ABORDADOS
A ideia inicial era fazer um episódio apenas dedicado ao futebol, como a Sofia explicou nesta publicação. Porém, acabamos a conversar sobre a minha infância, sobre a importância da cultura na vida e na educação, sobre o nosso Porto e sobre como o «desporto rei» ainda parece ser um tabu, ou uma mera paixão passageira, nas preferências de uma mulher.
De um modo orgânico, recuei ao passado, exteriorizei inquietações, crenças e sensações e refleti sobre vários outros aspetos. E ri-me muito, porque foi uma conversa consciente, mas sempre descontraída.
Estou bastante grata pela oportunidade e por, ao episódio sete [há coincidências tão bonitas], me ter dado a honra de ter uma Crise de Identidade na sua companhia. Espero que gostem tanto de ouvir como eu gostei de participar. Foi mesmo espetacular! Obrigada, Sofia 💙
- Spoiler alert: Este episódio tem pronúncia -
