por talesforlove, em 19.07.18

Imaginem-me Verde…

(Parte I)

Verde, como uma árvore de raízes enterradas,

Em água gelada no Verão, terra, húmus e pedras aladas,

Que os teus olhos jamais verão,

Porque esta estação é só minha:

Reflexo nos meus olhos, meu coração,

Na qual sou fixo, Vida que não caminha.

Imaginem as minhas folhas no céu,

O vento a tocá-las como a um instrumento musical,

A tocar, a tocar, a tocar… Por séculos

e séculos, e Verões, Outonos, Invernos

e Primaveras sem fim…

E deita-se no chão um corpo, e outro,

e sentam-se, e ambos são elevados pelo

som. Lhes dá paz; infinda.

Imaginem as minhas folhas no céu,

um instrumento musical, dedilhado pelo vento,

por séculos, a tocar, a tocar, a tocar,

Invernos, Verões, só estas duas estações,

e tempos sem fim…

E enlevados pela música são dois corpos:

um sentado, olha o céu, filtrado por mim,

o outro, de pé, olha em redor e para cima,

ambos em paz. Universo feito de paz…

Por Rui M. a 19 de Julho 2018