Fotografia da minha autoria

«Você nunca conhece realmente as pessoas»

A minha alma é pela arte. E reveste-se de séries. Por isso, alerta-me sempre para a existência de novas apostas neste formato. Ainda para mais quando se aproxima a temporada em que as minhas favoritas entram em pausa. Nenhuma as substitui - como é evidente -, mas é sempre agradável quando encontramos alternativas de qualidade. Conforme o caso da história que, recentemente, se hospedou na Fox Life.

Imposters «segue Maddie, uma mulher sedutora com um método único para enganar as suas vítimas. Alterando a sua identidade, consegue que homens e mulheres se apaixonem e casem com ela, para depois fugir com o seu dinheiro», chantageando-os com «informações comprometedoras para garantir que nunca a irão denunciar à polícia. O seu esquema resulta uma vez após outra, até que as suas últimas vítimas - Ezra, Richard e Jules - se juntam para a encontrar. Mas para isso também eles terão de aprender a arte de enganar». É nesta altura que a aventura se inicia e que compreendemos a complexidade das relações e dos golpes em curso. Será que conhecemos verdadeiramente as pessoas que caminham ao nosso lado ou não passará tudo de uma fachada? Em quem poderemos confiar?

A premissa é, por si só, aliciante. Porém, a série torna-se ainda mais fascinante por dosear tão bem o drama e o humor de cada situação. Com uma energia misteriosa e caricata, é a imprevisibilidade que alimenta a nossa curiosidade, bem como a ligação improvável e cómica que une os três lesados da enigmática criminosa. O seu histórico de burlas é surpreendente. A naturalidade com que assume a personagem também. E, apesar de tudo, é fácil deixarmo-nos encantar por ela, da mesma maneira que somos cativados pelo trio revolucionário - e amargurado, à procura de sarar as feridas e de encontrar uma explicação menos dolorosa para a mentira que viveram. Num constante testar de limites [morais e relacionais], embora a viagem possa ser solitária, pensar em equipa nunca foi tão prioritário. Mas nenhum plano é isento de falhas, sobretudo, quando há sentimentos impossíveis de controlar.

O ritmo é envolvente. E rapidamente entendemos que o argumento tem mais camadas do que aparenta. Afinal, esta rede é bem maior. E basta um passo em falso para que as consequências sejam nefastas e irreversíveis, interferindo com a vida de inocentes. Confesso que, perante a sinopse, estava à espera de uma abordagem mais séria, portanto, foi maravilhoso assistir ao contraste: inquieta-nos, para logo depois nos arrancar gargalhadas genuínas. Mesmo que me repita, é o equilíbrio que abrilhanta Imposters, que conta com um grupo de atores talentosos e com um texto sólido. Divertido. E original.

O futuro é incerto. E talvez existam contratempos desnecessários, que colocarão os planos em risco. Independentemente do próximo passo, é uma série que promete. E que já me conquistou em pleno!