18
Mar20
Maria do Rosário Pedreira
Há muita gente que, estando a trabalhar em empresas, desejaria ardentemente trabalhar a partir de casa. Pois eu sou o contrário: como preciso de trabalhar em casa por motivos pessoais (uma crónica semanal, este blogue, etc.), se trabalho em casa para a LeYa é certo e sabido que depois já não me apetece trabalhar para mim, porque deixa de haver um corte, de horário e de lugar. Além disso, agora tenho de fazer almoço, e eu detesto cozinhar. O meu irmão, que é professor universitário, diz também que lhe é muito mais difícil ensinar pela Internet do que dar as aulas presencialmente. E com os professores do Secundário e do Básico imagino que aconteça o mesmo, ou seja ainda pior, apesar de os principais editores escolares terem aberto de forma gratuita as suas plataformas para os ajudarem. (Pelo menos, não aturam a má-criação.) Tenho dificuldade em perceber o que acontecerá mais para a frente, se a reclusão se prolongar, inclusivamente porque conheço alguns efeitos secundários do isolamento social e não são bons. E mesmo ler, que podia resultar bem em ambiente doméstico, agora não funciona: ora porque estamos sempre a receber emails e whatsapps da empresa (temos de comunicar de alguma maneira), ora porque com o computador ligado estamos atentos a todos os alertas do vírus, ora porque a situação é muito grave e não conseguimos concentrar-nos. Pode parecer uma parvoíce, mas não é que tenho saudades de ir para o emprego...?