Livro escolhido como leitura de Fevereiro do meu desafio de ler mais lusofonia para 2026; podcast aqui:
Este livro foi escolhido por ser o mais curto que eu tinha na estante, por ler, de Jorge Amado, e é o primeiro livro que ele escreveu, quando tinha apenas 18 anos (eu, com o dobro da idade, não me posso orgulhar de nada do género). Leio Jorge Amado desde os meus 13 anos, porque foi leitura da escola, portanto há mais de 20; no entanto, e tendo lido vários dos seus livros nestas mais de duas décadas, nunca tinha lido o seu primeiro.
O País do Carnaval vale talvez mais como uma curiosidade para fãs do autor do que como livro para começar a ler Jorge Amado. Neste seu primeiro livro, estamos em 1930 e seguimos Paulo Rigger, que estudou Direito em Paris, onde viveu alguns anos, e regressa ao Brasil de barco, passando pelo Rio de Janeiro antes de chegar à sua Bahia natal. Hipocritamente, arranja uma amante, que depois rejeita por não ser casta.
Herdeiro de um fazendeiro rico, Paulo simpatiza com o comunismo e sente a pobreza do Nordeste; percebe que a sua vida não se coaduna com as suas crenças. A obra critica profundamente as desigualdades sociais no Brasil numa altura em que o Brasil se começava a industrializar, mas estava ainda muito atrasado, especialmente face à Europa de onde o personagem principal regressara. Assim, Paulo desdenha o país onde nasceu.
Paulo procura um objectivo para a sua vida, e não consegue. Também os amigos de Paulo (intelectuais de letras) procuram o significado na vida, e também eles falham em o encontrar (seja no amor, no sexo, na religião, na filosofia). De maior destaque, a tentativa de Paulo de encontrar o sentido no amor, que acaba por rejeitar devido a convenções sociais às quais continua preso não obstante criticá-las.
Há muita denúncia de mediocridade política, e também quase nacional: Paulo começa a pensar que o atraso social e económico se deve ao povo brasileiro, que só pensa no Carnaval e no Samba (que no meio da grandiosidade da natureza, só pode ser um povo pequeno). Paulo acaba por se desiludir consigo mesmo, achando que o seu destino fracassado se deverá, também, ao Brasil que de certa forma o oprime.
Muita da crítica social e política que vemos neste livro é explorada noutros livros que Jorge Amado escreveu posteriormente - os quais prefiro muito a este. No meio da muita (demasiada) discussão filosófica (quem nunca teve 18 anos e se achou extremamente profundo? Acho que é essa a maior falha deste livro), nenhum dos personagens acaba por ser particularmente densificado. Não consegui ter empatia ou interesse por nenhum - nem na sua procura de felicidade - e acho que se deve à pouca dimensão do livro.
podem comprar este livro na wook
