28
Jan20
Maria do Rosário Pedreira
Na semana passada, os jornais deram conta da morte de Terry Jones, escritor e actor que integrou os Monty Python, colectivo de comédia britânico absolutamente genial, responsável por uma série que eu não perdia nem por nada na adolescência – The Monty Python Flying Circus – e vários filmes, entre os quais destaco A Vida de Brian. Escreviam sketches notáveis de ir às lágrimas e influenciaram várias gerações de humoristas. E evoco-os aqui no blogue porque uma das cenas que me ficaram gravadas na memória dessa série televisiva tem que ver com... sim, livros. Um tipo bate à porta de uma casa e, de dentro, outro tipo pergunta quem é. O de fora responde que é um gatuno e que vem fazer um assalto, mas o dono da casa, longe de se assustar, pergunta apenas se ele está a dizer a verdade e é mesmo um gatuno, se o está a tentar enganar; ao que o outro responde que sim, que é um simples ladrão e vem assaltá-lo. Então, o dono da casa espreita pelo olho-de-boi para ver que tipo de pessoa tem à porta e, não muito convencido de que se trate de um assaltante, insiste: «Mas tem mesmo a certeza de que é um ladrão? Jura que não é um vendedor de enciclopédias?» No fim, era mesmo um vendedor de enciclopédias a passar-se por ladrão… As vendas de livros porta a porta tiveram a sua época, mas esta rábula nunca me saiu da cabeça. Paz à alma de Terry Jones.