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Tema: Thrillers e Mistério
O início do mês de abril foi um pouco antagónico no que diz respeito a leituras. Se, por um lado, comecei por me aventurar num autor desconhecido. Por outro, logo de seguida, regressei a um porto seguro. E tudo porque o tema quatro do The Bibliophile Club privilegiou os thrillers e o mistério, que assumem um lugar de destaque nas minhas preferências, uma vez que têm um registo que me entusiasma. Portanto, sentindo-me em casa, a minha escolha só podia ser feita no feminino, porque nunca recuso a companhia da Rainha do Crime.
Agatha Christie não desilude, pois há muita mestria na construção dos seus enredos. Apesar de não contar com muitos títulos na minha bagagem literária, confesso que me rendi por completo àqueles em que Poirot é figura central, pois abrilhanta a ação de imediato. No entanto, contando ou não com a presença desta personagem, as histórias cativam. Inquietam. E deixam-nos com uma profunda vontade de explorar cada pormenor. E é quando nos julgamos perto da resposta que a autora inverte o jogo e regressamos à casa de partida, a questionar onde erramos. Por vezes, o nosso palpito até se revela acertado, mas a dúvida instala-se com tanta força que só somos capazes de desvendar o enigma na parte final da narrativa. E isso, para mim, é genial, sendo já uma imagem de marca da escritora britânica.
A editora Livros do Brasil, através da Coleção Vampiro Gigante, avançou com o lançamento das Obras Completas de Agatha Christie. E eu fui agradavelmente presenteada, pelo Natal, com o número um, vindo diretamente da biblioteca pessoal dos meus tios. Fiquei radiante, ainda para mais quando percebi que cada exemplar contém dois livros - respeitando a sua ordem cronológica. Neste volume, encontramos A Primeira Investigação de Poirot e O Adversário Secreto, duas histórias tão distintas - na abordagem e na energia - e, ainda assim, tão apaixonantes. Enquanto a primeira me permitiu acompanhar a sagacidade de um dos detetives mais carismáticos, a segunda convidou-me a conhecer dois protagonistas hilariantes: Tommy & Tuppence.
A premissa de A Primeira Investigação de Poirot - também conhecida por O Misterioso Caso de Styles - é simples, mas é a rampa de lançamento para compreendermos a inteligência fora de série de Poirot e para entendermos como desenvolve os seus métodos de análise perante os dados que surgem e aqueles que procura fazer sobressair. E é impressionante como algo aparentemente insignificante provoca conjeturas tão perspicazes. Mas isso não está ao alcance de qualquer um, apenas de mentes astutas. O Adversário Secreto, por seu lado, apresenta uma dinâmica mais viva, equilibrada por uma dose de ingenuidade e uma certa ausência de noção do perigo. Neste segundo enredo não faltarão peripécias e muitos momentos de tensão. E sinto que tem um registo misterioso muito mais vincado, graças às pontas soltas que nos deixam em suspenso. A leitura torna-se, portanto, urgente. Há uma busca incessante por pistas. E por respostas. E existem, ainda, duas questões que não nos sairão do pensamento.
Pessoalmente, talvez pelo traço de novidade, fiquei rendida a Tommy e a Tuppence, quer pelas suas personalidades, quer pela ligação entre ambos. A aventura na qual embarcam é vertiginosa, deixando-nos sem fôlego. Contudo, independentemente dos protagonistas, ler a Rainha do Crime é sempre uma aposta ganha. Porque consegue criar ambientes imprevisíveis e vários planos de ação, despertando o nosso genuíno interesse em integrar a narrativa e descobrir o[s] verdadeiro[s] culpado[s]. Encantadora, rica e viciante, assim é a escrita de Agatha Christie. Certamente que não ficarei por aqui.
Deixo-vos, agora, com algumas citações:
«De súbito, algo no ferrolho pareceu prender-lhe a atenção. Examinou tudo demoradamente e, ágil, tirou uma pinça da pasta e com ela recolheu qualquer partícula minúscula, que fechou cuidadosamente num pequeno sobrescrito» [p:42];
«Estes papéis têm de ser salvos! Há maiores probabilidades com a senhora do que comigo. Quer levá-los?
A jovem estendeu a mão» [p:218];
«- Você não o conhece - repetiu em voz rouca. - Ele... ah!
Com um grito agudo de terror ergueu-se de um salto. A mão estendida apontava para a cabeça de Tuppence. Depois cambaleou e caiu ao chão com uma síncope» [p:318].
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