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Fotografia da minha autoria |
«Livros dão alma ao universo»
O mês de setembro teve sempre um lugar de destaque no meu coração, porque era sinónimo de regressos e de reencontros. Além disso, trazia na sua bagagem o doce impulso de abraçar novos projetos. Este ano, atendendo à missão que defini, assumiu uma componente ainda mais especial, pois permitiu-me voltar a fazer algo que me preenche: comprar livros e ver a minha biblioteca a ficar repleta de mundo[s].
A primeira parte do desafio começou no final de dezembro e prolongou-se até abril. No meu aniversário seria impossível não adquirir novos exemplares, por isso, reservei-o como um momento de pausa. Quando iniciei a segunda etapa, que ocorreria de maio a setembro [tendo em vista a Feira do Livro do Porto], aliei-me à Sofia - A Sofia World - e, assim, passamos os últimos quatro meses sem ceder a qualquer tentação. Aliás, esta aventura concedeu-nos espaço para refletirmos sobre o que fazer quando temos demasiados livros por ler, auxiliando aqueles que estivessem a ponderar embarcar numa viagem semelhante.
Uma vez que me encontro noutra pausa, sinto que é benéfico analisar o caminho percorrido e o que pretendo alcançar até ao final deste ano.
QUATRO MESES SEM COMPRAR LIVROS:
EXPECTATIVAS VS REALIDADE
A minha lista de livros por ler estava nos 55. De janeiro até abril, reduzi-a para os 34 [salvo erro]. E o que mais me entusiasmou foi perceber que me envolvi tanto nas leituras pendentes, que nem dei pelo tempo a passar. Portanto, gerir este desafio foi mais simples do que estava à espera. Porém, nesta segunda fase já senti mais dificuldades.
Contabilizando as obras que acolhi em abril, voltei quase ao ponto de partida, o que me fez acreditar que, com tanta oferta, não teria qualquer problema. Mas maio teve imensos lançamentos e isso foi um teste à minha resistência. Houve, inclusive, alturas em que senti que ia sucumbir, contudo, aguentei firme. A partir de junho, o estímulo foi menor e reequilibrei o meu foco, priorizando os livros em espera.
Assim, recebi setembro com 13 exemplares por ler, ciente de que uma parte já estava destinada aos clubes de leitura em que participo e cuja leitura ainda ocorrerá em 2020. Deste modo, pronta para colocar este período sabático, novamente, em pausa, sabia que o número voltaria a subir, mas que assumiria uma postura muito mais consciente.
O QUE APRENDI E O QUE PRECISO DE MELHORAR
Fui sempre bastante poupada. No entanto, quando despertei para a leitura, compreendi que, neste departamento, esta característica não seria tão linear. Não faço compras por impulso, mas, se calhar, sou mais precipitada, perdendo, até, a oportunidade de adquirir determinadas obras em promoção [por exemplo]. Portanto, por mais focada que seja, a literatura desalinha-me por completo. E acabo por adquirir em maior quantidade, acumulando livros em vez de diminuir a lista por ler. E este desafio ajudou-me a redefinir estratégias.
Setembro ainda vai a meio e eu já fiz mais estragos do que aqueles que seriam aconselhados. Em minha defesa, investi muito em autores portugueses, uma vez que já tinha poucos para ler - e foi uma aposta útil para a PORTUGALID[ARTE]. Além disso, foram escolhas ponderadas. O que só se revelou possível porque estive tanto tempo sem comprar.
Outro aspeto que considero interessante destacar é o quanto a nossa postura sofre metamorfoses. Encontrei alguém pelo Twitter a mencionar que não entendia a obsessão das pessoas em não comprarem livros durante tanto tempo, pois queria ter uma biblioteca gigante e isso era incompatível. Curiosamente, também tinha esse sonho - que não esmoreceu -, mas entendi que, para mim, não faz sentido ter obras só para estarem em exposição. Eu tenho noção de que não viverei anos suficientes para ler tudo aquilo que ambiciono, contudo, posso não me sujeitar à pressão de ter em casa exemplares nos quais nunca pegarei, perdendo histórias surpreendentes, porque não paro de comprar novos. Naturalmente, cada um segue a linha que o ajuda a ser feliz. E esta missão de livrólica sabática permitiu que eu descobrisse a minha.
PLANOS PARA O FUTURO
Em outubro, avançarei para a terceira e última etapa deste desafio. Mas talvez não a torne tão restrita como as anteriores, pois estou a contar que o primeiro livro de Isabel Saldanha saia nesse mês. Ainda assim, tudo dependerá da quantidade que serei capaz de reduzir até essa ocasião. Por isso, procurarei ser muito mais disciplinada, sobretudo, porque disponho de livros que estou desejosa de conhecer.
Mantendo o foco, a aventura conclui-se no mês que transborda magia. Não obstante, continuarei a estimular-me num formato semelhante.
ESTRATÉGIAS PARA DIMINUIR
A LISTA DOS LIVROS POR LER
Nesta publicação podem encontrar uma versão alargada sobre o assunto. Apesar disso, para facilitar o processo, partilho as dicas que considero mais úteis para conseguirmos levar esta missão a bom porto.
A este conjunto de estratégias acrescento, ainda, que encontrar companhia é uma ajuda preciosa, porque se motivam em simultâneo. Além disso, é maravilhoso partilhar experiências e descobrir as distintas realidades que se escondem em cada estante. Portanto, delinear um compromisso desta natureza compensa. E não condiciona outros sonhos.


