"Na Sombra do Amor (Irmandade da Adaga Negra 6)", de J.R. Ward (Casa das Letras)

Sinopse:
Em Caldwell, Nova Iorque, a guerra entre vampiros e os seus assassinos torna-se mais sangrenta e perigosa. A única esperança é um grupo secreto de irmãos – vampiros guerreiros, acérrimos defensores da sua raça. E Phury é o mais fiel à Irmandade da Adaga Negra. Casto e leal, Phury sacrifica-se pela raça, assumindo a responsabilidade de dar origem a toda uma nova geração de vampiros guerreiros que continuará a proteger a raça e a manter vivos os costumes. No entanto, Phury terá de enfrentar a voz interior que o atormenta e combater o vício que o afasta da batalha cada vez mais sangrenta entre vampiros e os seus inimigos. Mas a sua única salvação é um amor proibido que pode condenar toda a raça. O desejo que Cormia sente por Phury vai muito para além da obrigação e do futuro da raça. Dividida entre a responsabilidade e o amor pelo macho que tem de partilhar com as fêmeas escolhidas, Cormia esforça-se por se conhecer a si própria e salvar o seu amado.

Opinião:
Os livros desta saga são um dos meus guilty-pleasures. Gosto muito das personagens e do mundo que a J.R. Ward criou, mesmo sabendo que não são os melhores livros do mundo.
Mais uma vez, a autora traz grandes revoluções com este livro. Muita coisa acontece, tudo muda e o futuro da saga promete ser ainda mais surpreendente.

Tenho de dizer uma coisa: este livro não é como os anteriores, onde tínhamos um casal central à volta do qual toda a história girava e depois tínhamos os personagens secundários, que eram bem desenvolvidos mas não tinham tanto 'tempo de antena'. Este livro contradiz essa 'noção básica' dos romances, pois o romance entre o Phury e a Cormia não está no centro das atenções.
Se me perguntarem se isto é bom ou mau, eu diria que é mau, pois o facto de não termos tanta oportunidade de conhecer estes dois personagens faz com que o leitor não crie uma afinidade com eles e portanto o leitor não sente nada com o desfecho dos dois. Mas, por outro lado, não foi mau de todo, pois este livro debruça-se sobre um enorme leque de outras personagens que, pelo menos a meu ver, são bem mais interessante que o Phury e a Cormia. No entanto, também acredito que o facto de eu pensar isto se deve à ausência de conhecimento sobre o casalinho em questão. Daí que seja uma espécie de efeito espiral.
Dito isto, os personagens que realmente são centrais neste volume são: John, Qhuinn, Blay, Rehvenge, Xhex e Lash. A evolução que vemos nos primeiros três é enorme e embora não tenha concordado com algumas decisões da autora em relação ao Qhuinn, a verdade é que a amizade entre estes três esteve em voga neste volume e eu adorei. Em relação aos últimos três, devo dizer que o Rehvenge não é dos meus preferidos (daí que não esteja excepcionalmente expectante em relação ao próximo livro da saga), a Xhex surpreendeu-me na positiva e o Lash esteve mais exposto, mas a evolução dele não me satisfez completamente (em termos de credibilidade).
Noutra nota: espero sinceramente que a Layla (uma das chosen) também tenha o seu final feliz. Ela já aparece na série desde o segundo livro, mas coitada, está sempre a levar pontapés de todos os homens. Infelizmente pelo que vi  da lista de casais até ao livro 10 ela ainda não tinha tido sorte. Coitada!

Quanto ao enredo, como referi, temos grandes mudanças, tanto no lado do vampiros como dos lessers. Mudanças estas que prometem trazer muitos dissabores aos 'heróis'. Em relação à trama, como sempre a J.R. Ward conseguiu ser credível e jogar bem com todos os elementos da história.
A autora fez uma jogada arriscada ao 'brincar' com a percepção do leitor relativamente a um fio da trama que envolvia o John, o Blay, o Qhuinn e o Lash. E levou-me bem na cantiga. O que surpreendeu foi que não ficou aquela sensação de "fui enganada". Não. A autora jogou com a situação de forma a confundir o leitor, mas não o fez de parvo, daí que a conclusão tenha sido bastante fácil de assimilar.
Quanto à trama que envolvia a Cormia e o Phury, as coisas já me pareceram mais apressadas mas ainda assim credíveis. Só gostava que tivesse havido mais foco nisso, pois também foi um grande momento da história e merecia um pouco mais de 'preparação'.

A escrita da autora mantém-se semelhante aos volumes anteriores. Acessível e viva, mas os problemas mantém-se também os mesmo.Continuo a detestar o facto de estar sempre a referir os nome das marcas de tudo (roupa, carros, sapatos, etc). Já para não falar nas siglas que a autora teima em usar na narrativa e que me irritam imenso porque muitas vezes não consigo perceber logo o que significam. Eu até compreendo que as use nos diálogos, mas dizer "OJ" na narrativa em vez de "Oranje Juice" é brincar com o leitor (a título de exemplo).

Em suma, foi mais um divertido livro desta saga, cheio de revelações, muitas mudanças e o surgimento/revelação de algumas personagens que prometem surpreender nos livros que se seguem. No entanto gostava que a autora se tivesse esforçado um pouco mais em desenvolver o romance entre o Phury e a Cormia, pois este foi apenas ameno e não deixou marca, o que é ridículo, tendo em conta que o livro é suposto ser sobre eles.Espero sinceramente que esse 'erro' não se repita nos próximos livros.

Capa, Design e Edição:
(Li a versão inglesa com o título "Lover Enshrined" -à direita- e é essa edição que comento)
Mais uma capa em sintonia com as anteriores. Gosto da escolha da cor, mas acho que teria sido mais giro se usassem o dourado que é a cor da família da Comi, ou o lilás, que é a cor favorita dela. Teria bastante mais simbolismo dessa forma. A modelo feminina poderia bem ser a Cormia, mas já o modelo masculino nada tem a ver com a descrição do Phury que te cabelos até aos ombros e multicolores.
No interior a edição está cuidada (embora eu gostasse que desistissem das siglas no texto) e o design está simples mas aprazível para a edição massmarket-paperback que eu tenho.

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