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Abr14

Maria do Rosário Pedreira

Em Portugal os livros de bolso ainda não são tão populares como no país vizinho, mas de há uns anos para cá começaram a instalar-se e existem agora boas colecções, com uma selecção de títulos muito variada (do mais literário ao mais comercial), e, claro, a preços convidativos, o que em tempos de escassez não deixa de ser importante. Uma delas é a 11 x 17, da Bertrand, outra a BIS, da LeYa, em que se inclui o livro de que hoje falarei. Trata-se de As Memórias Secretas da Rainha D. Amélia, que não é exactamente um romance histórico, ainda que nos elucide sobre uma era e uma personalidade históricas específicas, mas antes um livro de memórias ficcionadas da última rainha portuguesa e presumivelmente (a ficção permite) oferecidas a Salazar e resgatadas por um militar no dia 25 de Abril, tendo vindo parar às mãos do próprio autor do livro, Miguel Real, depois de muitos anos e muitas andanças. O enredo é já de si bem original, portanto não se espere que a rainha diga o esperado, deixemo-la ser contundente e crítica com Portugal, com o Portugal do seu tempo de monarca e com o Portugal que sucedeu ao regicídio, porque a senhora D. Amélia, depois de perder filho e marido, ainda se fartou de viver, assim assistindo, mesmo que de longe, a muita coisa de que, enfim, não gostou. Assistamos nós também a este testemunho, num livro que caminha sempre entre o real e o imaginário, entre o plausível e o completamente inesperado. E a preço módico, o que é só mais uma vantagem.