"quando a gente é menino"
quando a gente é menino quer crescer,
ficar grande,
completar os dezoito e dar o fora.
a gente pensa que tudo é mais fácil,
que o tempo é infinito.
quando a gente é menino
pensa que 40, 50... é idade só dos outros,
que a gente, para chegar lá,
tem que remar muito pra essa idade chegar
esquece, deixa pra lá, porque o que importa
é chegar aos dezoito,
pra namorar tranquilo,
beber tranqüilo,
comprar um carango e até fumar.
mas, depois que gente cresce,
depois que a vida aparece cheia de surpresas,
de sonhos a correr,
o tempo dispara e, nem na marra
para pra socorrer,
pra dar um descanso
pro menino que só queria ter dezoito
e nem percebeu que os agostos
fugiram mais depressa que o viver.
ai que saudade agora do menino
sardento, franzino,
que tinha os olhos voltados pro sol,
do cabelo em caracol
a queimar nas tardes de dezembro...
menino eu lembro de todas as suas estripulias
e de tudo que você fazia
a pensar que os dias eram todos domingos.
eu lembro menino, do seu primeiro amor,
do rubor de sua face,
quando encontrava com ela na calçada,
dos seus pecados inocentes
que, na verdade, acho,
nunca foram pecados...
menino eu queria agora te reencontrar,
eu não ia querer mais os dezoito,
talvez, só um pouquinho mais que oito
para, inocente nesse mundo,
poder sonhar...sonhar...
QUE ESPAÇO BONITO ESTE, POESIAS DE QUALIDADE.
FELIZ LENDO AQUI.
ABRAÇO FORTE.
daufen bach.