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«Resume o estilo de vida que o autor procura transmitir»
Avisos de Conteúdo: Problemas matrimoniais, violência
A iniciativa Livraria Às Cegas, da Reli [Rede de Livrarias Independentes], tem-me proporcionado experiências de leitura surpreendentes, até porque me permitem sair da minha zona de conforto e explorar títulos - e autores - que dificilmente priorizaria. Assim, graças à Centésima Página, fiquei a conhecer Rabindranath Tagore.
«(...) mas o coração dizia-me que a dedicação nunca se atravessa no caminho
da igualdade; apenas torna mais elevado o nível do ponto de encontro»
A Casa e o Mundo apresenta um tom bastante intimista, com um retrato psicológico profundo e uma abordagem que pretende propor uma alternativa à realidade violenta do século XX. Além disso, foca-se na emancipação de Bengala e no papel da mulher. Através de uma narrativa alternada e desenvolvida a três vozes, é percetível o processo de desconstrução humana, fazendo-nos viajar até à essência dos seus valores.
«O nosso amor só será autêntico, verdadeiro, se nos
encontrarmos e reconhecermos no mundo real»
É, ainda, notório o peso que a sociedade tem nas decisões individuais e o quanto a pátria e as ideologias dicotómicas dividem e rotulam as personagens. Porque esse eco perpetua-se indefinidamente. Abordando, em simultâneo, problemas matrimoniais, a liberdade e a fé, esta obra guarda um mundo novo nas entrelinhas.
«O homem é infinitamente mais do que a ciência natural de si próprio»
A Casa e o Mundo é um romance representativo. Espelhando o estilo que o autor procurou tornar transversal à sua identidade literária - «respeito profundo pela vida, amor pela natureza e religiosidade panteísta» -, mostra-nos que a nossa caminhada tem sempre duas perspetivas que se complementam: a de fora [que, por ser do mundo, nos embala noutros desafios] e a de dentro [que, por ser o nosso lar, nos ampara].
«(...) a presença de outra pessoa não a impede de estar só»
