Fotografia da minha autoria

«Quando a dor não cabe mais no peito»

O teu olhar permanece ausente, como se aguentasse o peso do mundo nos ombros. As tuas feições delicadas são, agora, carregadas de dor. E o meu coração aperta por não ser capaz de sossegar esse teu desânimo.

Queria que não me tivesses fechado a porta. Mesmo que me faltassem respostas, poderia abraçar-te com cuidado; poderia tentar proteger-te. Talvez não acreditasses no meu otimismo - também eu vacilei no poder das minhas palavras -, mas encontraríamos uma solução. Longe de ti e dessa luta é que não consigo reverter o caos que a tua vida se tornou.

Trancaste a porta comigo do lado de fora. Por isso, a única hipótese que me resta é esperar, do meu lado, pelo teu lento grito de resgate.

Aninho-me e suplico

Silenciosamente

Que não demore

Para que haja tempo

Para ti

Para nós

M, 07.04.2015