Fotografia da minha autoria

A banda sonora de uma viagem literária

O meu percurso literário, em 2023, terá uma nota diferente, porque associarei uma música a cada livro. Assim, nasceu a Estante Cápsula Jukebox, uma playlist que será atualizada sempre que terminar uma nova leitura.

A combinação poderá ser feita de várias maneiras: pelo título, pela dinâmica da história, por um detalhe em particular, por ser mencionada no enredo, entre outros. Portanto, todos os meses partilharei o motivo que sustentou a minha escolha, complementando a narrativa. Para janeiro, a banda sonora tem nove canções.

OS VAMPIROS, FILIPE MELO & JUAN CAVIA

Os Vampiros, Zeca Afonso: Não só pelo título e por ter sido uma fonte de inspiração para a obra citada, mas também por transmitir a sua mensagem em perfeita simbiose.

RACISMO EM PORTUGUÊS, JOANA GORJÃO HENRIQUES

Esquinas, Dino d'Santiago & Slow J: Pensei logo neste tema por causa do verso «nossos corpos também são pátria», uma vez que grita o respeito racial que deveria ser um direito e não uma luta constante.

COMER / BEBER, FILIPE MELO & JUAN CAVIA

Memória, Ana Bacalhau: Os dois contos do livro são unidos pelas memórias que a comida e a bebida conseguem preservar, por isso, senti que esta música o acompanhava muito bem.

A CIDADE DAS MULHERES, ELIZABETH GILBERT

You're On Your Own, Kid, Taylor Swift: Confesso que esta escolha não foi tão óbvia. Primeiro, pensei na Welcome to New York, porque um dos locais mencionados na história é, precisamente, Nova Iorque, que tem grande importância para a protagonista. Mas, depois, senti que esta encaixava melhor, porque, apesar de tudo o que lhe aconteceu, apesar dos laços que foi estreitando, a verdade é que Vivian dependeu sempre dela.

ENCICLOPÉDIA DA HISTÓRIA UNIVERSAL: 

A RECOLHA DE MOREL, AFONSO CRUZ

Dandelions, Ruth B.: As narrativas que encontramos nestes volumes fazem-me sempre pensar em dentes-de-leão, porque, em frases curtas, tal como um sopro, dividem-se em infinitos fragmentos. Nestas histórias, em particular, que nos encaminham por inúmeras encruzilhadas, factos e burlas, senti-me a viajar à boleia de cada um desses fragmentos, que, depois, pousam em terreno fértil e permitem que tantos outros floresçam.

A LIBERDADE É UMA LUTA CONSTANTE, ANGELA DAVIS

O ÚLTIMO VOO DO FLAMINGO, MIA COUTO

Bloco Novo, Omar Sosa & Tiganá Santana: Estava difícil encontrar a canção desta leitura, por isso, resolvi seguir uma via alternativa. Foi assim que cheguei ao nome de Omar Sosa, responsável pela trilha sonora da adaptação cinematográfica. Embora este tema não seja contemplado na mesma, até porque é muito mais recente, senti que encaixava na perfeição: 1) pela melodia ancestral, mais espiritual, tão adequada à escrita de Mia Couto; 2) por mencionar dificuldades e pobreza, problemas também referidos no livro.

A FILHA REBELDE, 

JOSÉ PEDRO CASTANHEIRA & VALDEMAR CRUZ

Havana Son, Alexander Wilson & Davide Giovannini: Estive indecisa entre esta música e a Como Fué, por ser o tema de abertura da série Cuba Libre, adaptada a partir desta obra. No entanto, fiquei-me pela primeira opção, porque achei que o ritmo combinava melhor com a personalidade de Annie e com o seu percurso: tão revolucionário, tão audaz, tão sedutor.

ESTE ANO ESCREVO UM LIVRO, AGÊNCIA DAS LETRAS

Livros, Caetano Veloso: Para um exemplar que tem como principal foco a escrita de um livro, é claro que a música só poderia ser sobre o mesmo tema. Confesso que não me estava a recordar desta, mas, assim que a escutei, percebi que não precisava de procurar mais.