Há entrevistas que seguem direitinhas, a gente pergunta, o entrevistado responde, e tudo corre demasiado bem. São entrevistas chatas, quase sempre, mesmo quando isso se consegue disfarçar no texto final. Depois há outras em que tudo é inesperado e em que as nossas perguntas perdem o alinhamento, dançando ao ritmo da conversa e sugerindo outras perguntas, muito mais interessantes porque muito mais espontâneas, fruto daquilo que deve ser uma boa conversa. São as mais interessantes. E depois há entrevistas que são um desafio, porque as perguntas que fazemos são ultrapassadas pelas perguntas que nos fazem e não há alinhamento que se salve. Não sei se são as mais interessantes para o leitor, mas são as que não esquecemos. Foi assim com Manuel Medeiros, o Livreiro Velho, que me recebeu na Culsete, em Setúbal, com a hospitalidade que só os que sabem que as livrarias são casas podem praticar. O resultado está aqui, no Portugal Ilustrado.
(na imagem, Manuel Medeiros assina o livro de presenças do II Encontro Livreiro, em Março deste ano)
