12

Abr21

Maria do Rosário Pedreira

Há não muitos dias falei aqui de A Cadela, da escritora colombiana Pilar Quintana, mas este não é o único livro recente com cães. Li um outro, do espanhol Arturo Pérez-Reverte, chamado Cães Maus não Dançam, que deve ter sido dos primeiros títulos a entrar nas livrarias na era pós-clausura, ou seja, em Março passado. Como bem sabem os que acompanham as crónicas do autor, magníficas, para Pérez-Reverte há valores que são incontestáveis, e um dos que lhe são mais caros é justamente a lealdade. Ora, como falar no exemplo máximo de lealdade? Usando cães, que disso são a metáfora mais-que-perfeita. Mas este livro é tudo menos um livro de cãezinhos… Como o título indica, aqui os cães são maus, são cães que os humanos converteram em animais de luta, com feridas e cicatrizes várias, orelhas cortadas e atitudes violentas; cães ferozes que atacam outros cães e seres humanos, mas nem por isso deixam de ser amigos do seu amigo, indo até ao fim na sua missão de o salvar quando ele está em risco. Não esperem uma parábola como a de Luis Sepúlveda com gatos e gaivotas, porque aqui as páginas são mais brutas do que divertidas, mas vale a pena ler este livro nem que seja porque nos permite aprender com os cães sobre… nós mesmos.