Por José Reinaldo do Nascimento Filho
Quem é essa/esse/terceira opção? personagem mulher e “imortal” que encontramos nesse curtíssimo livro de Virgínia Woolf, estendido desde o reinado isabelino (1600) até 11 de Outubro 1928, que em determinado momento da sua vida transforma-se – ou é transformado pelo “espírito da época” como escreve a biógrafa? – em homem e, semelhante ao inseto do Kafka, parece não estar muito preocupado com a drástica e peculiar mudança em seu corpo?
Possivelmente quem leu questionou-se sobre o que é abordado nesse livro. Tenho algumas especulações: reflexões sobre o papel e personagens mulheres na sociedade e literatura? Uma apologia da igualdade entre sexos? Ou quem sabe um discurso à superioridade do sexo feminino?
Para quem conhece um pouco dos meus “quifazer”, sabe que estou dando aulas no famigerado terceiro ano B do CODAP/UFS. Escrevi “famigerado” porque não encontro palavra mais adequada para uma turma totalmente dispersa, confusa, sem interesse ou, como disse o agente Smith, sem propósito – aparente.
No primeiro dia de aula perguntei para alguns sobre o que seria/é Utopia. Eles não souberam responder (com exceção de uma menina com ares “nerdianos” – mas bonitinha). Já no segundo dia a temática foi sobre a Globalização e as suas características, e como essa coisa (sem as aspas) repercute no cotidiano. O desinteresse foi claro e objetivo e explícito: jovens no MSN (isso mesmo, MSN. O governo distribuiu um mini-computador para todos os alunos. Desorganização. Idiotas. Antas. Irresponsáveis), ou brincando com dominós e baralhos.
“Preciso fazer algo para que eles me ouçam e me dêem atenção”, pensei. Nesse instante tive um insight (ou uma idéia idiota que não levou a nada – pseudo futuro debate?). Perguntei para eles onde estava o problema da educação no Brasil (pobre e inútil insight para matar o tempo).
Onde está o problema?
As repostas foram das mais óbvias às mais sinceras:
1. Falta de investimento e péssimo preparo por parte dos professores (óbvio);
2. O professor precisa saber manipular os alunos e convencê-los de que estudar é importante (“Manipular”? “Palavra errada na hora errada? Talvez ele esteja certo? Eu que sou anta demais?”, pensei);
3. “Sou inútil, professor. Simplesmente não penso em nada” (“essa foi a melhor e mais sincera”, pensei);
4. “Estamos saturados Reinaldo. Não vejo motivo para estar aqui em sala de aula e ouvir assuntos que não me interessam (…) porque simplesmente vai cair no vestibular e se nós não fizermos e estudarmos isso, nós não teremos futuro na vida” (mais ou menos isso).
O que isso tudo tem haver com Orlando? Não sei (ainda). Acho que, por algum motivo, após o término do livro, ouvi o trecho “Que o que aconteceu ainda está por vir, e o futuro não é mais como era antigamente”, de Legião urbana, somados às lembranças de alguma coisa que li sobre Walter Benjamim e Herbert Marcuse, adicionados, ainda, pela conversa que tive com meu irmão Leonardo sobre a Escola de Frankfurt (esses dois autores são da Escola. Eu sei. Também sei que não é muita coisa saber disso. Estou confuso) e sua idéia sobre seu possível projeto de mestrado que, possivelmente, abordará a crise do moderno e a promessa para as melhorias no mundo e corrupção (algo com essas três palavras). Não entenderam ainda? Acho que eu também não. Acho que simplesmente isso tudo tem haver com o famigerado TEMPO abordado em Orlando e pelos diversos autores aqui citados e como esse TEMPO está me causando enjôos. Estou confuso. Estou confuso desde que li Orlando e assisti a A professora de piano, de Michael Haneke (FUCK!!! Diriam os personagens de Kevin Smith no ótimo O balconista).
Comecei a ler Entrevista com o Vampiro. Sim, preciso de férias. Quero ler somente. Chega de Faustos e Orlandos me atormentando.
Acho que escrevi esse texto para mim.
