«Não sou da paz quando dormes na rua

Não sou da paz quando comes no chão

Não sou da paz quando para aqueceres

Fazes da cama caixas de cartão

[...]

Não sou da paz quando uma pele mais escura

Torna mais leve o peso do bastão

[...]

Não sou da paz quando por ciúme

Ou um delírio de possessão

A alguém que em tempos te deu o amor

Te vês no direito de levantar a mão

Resta lutar com tudo o que tenho

Ir para a rua, escrever uma canção

Paz haverá um dia mais tarde

Quando o meu corpo repousar no caixão

Nascemos iguais mais isso não vale de nada

Se desde cedo somos atirados para trás da barricada

Eu não sou da paz quando a paz é podre

E o jogo está viciado sempre para o mesmo resultado

[...]

Falta empatia, indiferença há a rodos»