Claro que tinha de deitar as mãos a mais Aaron Blabey.


Enquanto a Porto Editora não se decide a dar continuidade a Os Mauzões (ficámos num enorme impasse no que respeita aos planos do Dr. Marmelada), sai em Portugal este pequeno livro do autor, num registo mais infantil.

O veredicto do meu companheiro quando o livro chegou a casa foi que se via logo que era do mesmo autor d'Os Mauzões. Os desenhos são, de facto, inconfundíveis - os olhos e sorrisos grandes, desta vez a cores, num livro ilustrado e não numa espécie de banda desenhada. O texto, curto, é em verso, o que também anima a narrativa deste pequeno pónei.

A história é muito simples: é sobre como ter aquilo que sempre desejámos nem sempre corre bem; sobre os aspectos terríveis da fama; e, acima de tudo, sobre aceitarmo-nos tal como somos. Telma é um pónei que sonha ser um unicórnio. Ao ter um acidente bizarro (que poderia ter causado a sua morte!), fica cor-de-rosa e coberta de glitter, aparentando ser o unicórnio que sempre sonhara ser.

Telma torna-se no centro das atenções, admirada pela sua beleza, mas tudo isto tem os seus custos (e drama). Ao perceber o quão sozinha se sentia sem o seu melhor amigo, decide livrar-se do glitter e dos adereços e voltar para casa e para a sua vida normal (vá, neste tipo de livro o spoiler é aceitável, certo?).

A Telma era adorável enquanto unicórnio, mas também era adorável enquanto pónei; mas, mais que isso, aprendeu que a fama não valia a pena se não fosse ela mesma, se não tivesse do seu lado aqueles que quer bem, e aprende a gostar de si como é.

5/5 vale imenso a pena