"A Guerra dos tronos (As Crónicas de Gelo e Fogo 1)", de George R. R. Martin (Saída de Emergência)
Sinopse:
Quando Eddard Stark, lorde do castelo de Winterfell, recebe a visita do velho amigo, o rei Robert Baratheon, está longe de adivinhar que a sua vida, e a da sua família, está prestes a entrar numa espiral de tragédia, conspiração e morte. Durante a estadia, o rei convida Eddard a mudar-se para a corte e a assumir a prestigiada posição de Mão do Rei. Este aceita, mas apenas porque desconfia que o anterior detentor desse título foi envenenado pela própria rainha: uma cruel manipuladora do clã Lannister. Assim, perto do rei, Eddard tem esperança de o proteger da rainha. Mas ter os Lannister como inimigos é fatal: a ambição dessa família não tem limites e o rei corre um perigo muito maior do que Eddard temia! Sozinho na corte, Eddard também se apercebe que a sua vida nada vale. E até a sua família, longe no norte, pode estar em perigo.
Opinião:
Se ainda não reparam pelas minhas leituras, eu não sou grande fã de high-fantasy, por razões que estão para além da compreensão humana (leia-se, machismo incutido nas páginas, e não me contrariem nisto, por favor). E consequentemente são poucos os livros que me atrevo a ler dentro do género, já que muitas das vezes saiu decepcionada. Contudo, estou feliz por dizer que este foi um livro que fugiu a esse 'terrível destino'.
O prelúdio, a mim não me deixou muito rendida, e só a partir do 3º ou 4º capítulo é que as coisas mudaram um pouco de figura, pois fui sendo apresentada a um role de personagens interessantes e, em grande parte, carismáticas. Logo no 2º (ou 3º) capítulo o Ned, recebeu a noticia de que o seu 2º pai tinha morrido, e a reacção dele passou totalmente despercebida. Ou seja, o autor disse-nos que a mulher achava que ele ia ficar despedaçado, mas assim que ele soube que o 'rei' viria visitá-lo, esqueceu a morte de uma pessoa tão importante na vida dela. É pá! Não sei, caiu-me logo mal.
Mas esquecendo isso e seguindo em frente, pareceu-me que haviam personagens a mais, nomes a mais, tudo a mais. Isto era tão épico que eu não sabia quem era quem (só decorei mesmo o nomes dos principais).
Há de tudo no elenco, mas uma coisa é certa, todas as personagens têm virtudes e defeitos (embora este último seja mais proeminente) e o autor conseguiu tornar cada uma única. Não há dúvida que as personagens são um dos pontos fortes do livro.
Os meus favoritos são o Jon, o Bran e a Daenerys, por agora, embora não tenha achado nada natural a 'profunda' (e completamente injustificada) alteração na personalidade da rapariga supra mencionada.
A história em si, para já, não tem grande complexidade, embora não lhe faltem intrigas. Pessoalmente, acho que falhou um pouco e, momentos ouve, em que a burrice de certas acções me pareceu desconexo da inteligência que certas personagens diziam ter, apenas para que as intrigas se tornassem mais profundas. Claro que, tendo lido apenas metade do livro original e um oitavo do publicado até agora, não posso realmente assumir que tal não tenha sido por uma razão que me escapa.
No entanto também houve lugar a muitos momentos chave para a história.
A escrita do autor é muito boa e cativante, tanto a nível de prosa como de diálogos. As cenas são vívidas e nunca aborrecidas, e nem mesmo a overdose de informação serve para tornar o texto mesmo apelativo. Há um equilíbrio em cada página, que prende o leitor.
Para terminar, queria só dizer que estou feliz por não ter tido nenhumas expectativas em relação a este livro (as muitas opiniões bajuladores bem trabalhavam para me convencer, mas eu não me deixava vencer). Este é certamente um livro que se lê muito bem e que deixa vontade de pegar no livro seguinte (embora não seja um desejo tão forte que tenha de pegar nele já de seguida).
Fiquei rendida, mas não totalmente. É certamente uma saga forte no género, e com certeza lerei o resto, mas para já não mostrou ainda ser a épica saga que tanto se fala.
Muito bom, mas com lugar para ser melhor. Recomendo a todos que queiram um bom livro de fantasia, e aos que, como eu, não gostam de high-fantasy, mas estão à espera que algo os faça mudar de ideias.
Tradução (Jorge Candeias):
Apesar de não ser a favor da tradução dos locais que o tradutor escolheu fazer nesta saga, a verdade é que a tradução está impecável. Já tinha ouvido louvores, mas ouvir e ver são coisas bem distintas. Um trabalho excelente!
Capa, Design e Edição:
Não gostei muito do facto de dividirem os volumes originais em dois (o dobro do custo para o leitor), embora entenda que o volume original é enorme, deviam compensar com preços mais baixos, para não ser tão penosa a compra da saga completa.
Quanto à capa, não adoro, mas gosto. Infelizmente, pouco tem a ver com a história já que o Jon (quem está na capa) pouco aparece nesta primeira metade do volume (imagino que na 2ª a situação mude). Também não entendo os brasões, já que nenhum deles é das famílias mencionadas. Estão ali a fazer feitio? E, mais uma vez, a SdE comete um erro enormíssimo de não citar o nome do ilustrador (capa e mapa). para mim, isso é indesculpável!
