Ficar preso aos clássicos ou sair da caixa com desconhecidos?
Literatura, Hábitos de leitura, Autores clássicos vs. contemporâneos, Bookstagram, Independência editorial
Book Stories, 17.11.20 📸 Melk Hagelslag por Pixabay Eu não tenho predileção por nenhum em específico. Não leio apenas autores conhecidos, nem tão-pouco me fico pelos desconhecidos.Não concordo quando dizem que só os clássicos é que vale a pena ler.É óbvio que ler os autores mais antigos é sempre uma mais-valia. Primeiro, porque o seu contributo para a literatura é reconhecido e, depois, porque em muitas das obras ditas clássicas é-nos dada uma visão muito particular de outras épocas históricas, visões realistas de quem viveu determinada fase temporal.No entanto, se só formos ler os antigos, o que acontece à nova geração de escritores? Convém não esquecer que a larga maioria dos chamados autores clássicos não chegaram sequer a ver a sua obra reconhecida, pois tal só aconteceu após a sua morte.Ultimamente tenho lido bastantes novos autores, que vou intervalando com um ou outro clássico. E alguns destes autores eu só fiquei a conhecer devido ao Bookstagram, pois as editoras não lhes dão oportunidade para chegarem ao grande público.Estes, que investem o seu tempo e o seu dinheiro em criar uma obra e em conseguir transformá-la em livro, apenas dependem da sua resiliência para concretizarem o seu sonho - e do seu dinheiro!Naturalmente que nem todos, por muito que gostem de escrever e inventar histórias, têm capacidade para tornar um livro interessante. Contudo, um dos que li muito recentemente – ‘Tudo o que sempre quis’ – não é muito diferente do que vemos nas páginas de um Raul Minh’Alma, por exemplo.Quase aposto que se tivesse uma grande editora a trabalhar a máquina da propaganda literária que, certamente, seria um sucesso de vendas.Qual é então a moral da história?Devemos ler tudo o que quisermos. Não nos devemos sentir obrigados a ler determinado autor só porque a sociedade diz que assim deve ser. Nem tão pouco devemos sentir-nos envergonhados por afirmar em público que lemos determinado tipo de história ou autor.Ao mesmo tempo temos - vamos chamar-lhe a obrigação moral, uma vez que somos bookstagrammers - de dar a oportunidade aos novos autores e não ficarmos fechados num baú de livros que já todos leram e todos acham que são brilhantes. Aliás, não é porque um livro é considerado uma grande obra da literatura que é 100% certo que eu vá gostar dela!Novamente: o importante é ler; ler clássicos; ler modernos; ler poesia; ler ficção; ler não-ficção; ler tudo.O importante é cultivarmos a nossa mente e, em alguns casos, o nosso coração! « anteriorinícioseguinte »
Texto originalmente publicado em Book Stories 2.0