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Jan23

Maria do Rosário Pedreira

Apesar de o meu curso na universidade ter sido de Francês-Inglês, fiz quase todas as disciplinas que eram comuns às licenciaturas em Línguas e Literaturas Modernas (Estudos Literários, Linguística, Teoria da Literatura...) no departamento de Estudos Anglo-Americanos, porque era aí que ensinavam alguns dos melhores professores que tive até hoje. Foi um deles quem me deu a conhecer a maioria dos poetas de língua inglesa de quem me tornei leitora, primeiro, e fã, depois; e, entre esses, está sem dúvida o meu poeta favorito: o irlandês William Buttler Yeats, homem despenteado e com qualquer coisa de louco quando olhado nas fotografias, mas também um irmão próximo nas coisas do amor quando lido com deleite e atenção. É sobre esta figura ímpar e atraente que se debruça o mais recente romance biográfico de Cristina Carvalho, escritora que tem cultivado bastante este género, mas se tem dedicado sobretudo a personalidades da Europa do Norte, como o cineasta Ingmar Bergman ou a escritora Selma Lagerlöf. Agora sei que também ela não resistiu (desde os 14 anos, confessa!) aos poemas belíssimos do irlandês que ganhou o Nobel da Literatura em 1923. Tomando a história de vida do poeta, a autora deste W. B. Yeats: Onde Vão Morrer os Poetas fala ora pela sua voz, ora pela de Yeats (sim, na primeira pessoa), dando-nos uma perspectiva desafiante e, a espaços, até desconhecida do autor. O livro é apresentado hoje às 18h00 na Cinemateca por Frederico Pedreira (não é da minha família, para que fique claro que isto não é um jeito que faço a alguém conhecido) e haverá leituras de poemas pelo actor André Gago.