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Out20

Maria do Rosário Pedreira

Li um destes dias um texto em que uma personagem dizia ao interlocutor que, se fôssemos bem a ver, as coisas em certos aspectos não tinham mudado muito desde o feudalismo: havia uma dúzia de pessoas com mais dinheiro do que quase todas as outras juntas... Claro que é uma comparação exagerada (e já não é a posse de terras que faz a fortuna), mas não deixa de ser verdade que os homens mais ricos do mundo são uma espécie de senhores feudais cujos vassalos são frequentemente escravizados e ganham uma ninharia. Podemos pedir às pessoas que não comprem o que eles produzem? Podemos pedir às pessoas que não lhes dêem mais dinheiro a ganhar e comprem, em vez disso, aos que precisam, aos pequenos? Eu achava que não, mas um livreiro independente de Brooklyn, Nova Iorque, teve a coragem de o fazer. As suas montras são um apelo a que os leitores comprem livros em livrarias independentes e parem de contribuir para o enriquecimento dos que já são ricos. Muito ricos. Mas depois descobri que não é só longe que estas coisas acontecem. Ora vejam estas duas imagens e reflictam.

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