Por José Leonardo Ribeiro Nascimento
Reproduzo abaixo algo que li de Nelson Rodrigues há algum tempo e que fui descobrindo ser verdade ao ler Harold Bloom, eminente crítico literário americano:
“Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos.”
NELSON RODRIGUES
Entro em um dilema: tenho vontade de reler muitas coisas que li na adolescência (O Processo, de Kafka, A Cartuxa de Parma, de Stendhal, O Idiota, de Dostoievski, Dom Quixote, de Cervantes etc.), mas, ao mesmo tempo, sinto que me faltam tantas obras básicas e indispensáveis…
Acrescento ainda a essa discussão algo que Harold Bloom e outros críticos escrevem: Só se deve ler coisas boas. Não perca tempo com aquilo que não tem qualidade, busque o melhor sempre.
Acredito que, a despeito destas discussões, fundamental é não abandonar os bons livros, tê-los como bons amigos.
Não leio muitos poemas (na verdade, quase não os leio), mas lembro de um belíssimo – e famoso – poema de William Butler Yeats, que li pela primeira vez há uns dez anos, e que decidi, ao colocar este post, reler e compartilhar com vocês:
ELE DESEJA OS TECIDOS DOS CÉUS
William Butler Yeats
Fossem meus os tecidos bordados dos céus,
Ornamentados com luz dourada e prateada,
Os azuis e negros e pálidos tecidos
Da noite, da luz e da meia-luz,
Os estenderia sob os teus pés.
Mas eu, sendo pobre, tenho apenas os meus sonhos.
Eu estendi meus sonhos sob os teus pés
Caminha suavemente, pois caminhas sobre meus sonhos.