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Play - Os Lusíadas

Canto X - Carolina Amaral
09  jan. 2025

Série inserida nas comemorações dos 500 anos de Luís de Camões que consiste na interpretação dos 10 cantos por 10 actrizes em 10 locais distintos. Numa era pós-colonialista, ouviremos as palavras, durante tantos séculos cristalizadas num só sentido, ditas em relação com a nossa actualidade. A finalidade é confrontar o texto com 500 anos com o tempo presente e perceber que reverberação estas mesmas palavras terão nos dias de hoje, num Portugal 2024. Consoante o conteúdo de cada Canto, uma actriz interpreta-o num local que retrate a nossa sociedade moderna e, de alguma forma, o nosso País.

1h  Artes e Cultura Todos
Narração
Banquete das Ninfas
Profecias Máquina do Mundo
Regresso a Lisboa

 Os Lusíadas 

  X  

  1 . 
MAS já o claro amador da Larisseia
Adúltera inclinava os animais
Lá pera o grande lago que rodeia
Temistitão, nos fins Ocidentais;
O grande ardor do Sol, Favónio enfreia
Co'o sopro que nos tanques naturais
Encrespa a água serena e despertava
Os lírios e jasmins, que a calma agrava,

RTP canto X estancia ultima.jpg

 Os Lusíadas, X.156. 

1-Camoes na ilha dos amores-CAPA.jpg

11.2 canto X inicio.jpg

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Quando as fermosas Ninfas, co'os amantes 
Pela mão, já conformes e contentes,
Subiam pera os paços radiantes
E de metais ornados reluzentes,
Mandados da Rainha, que abundantes
Mesas d' altos manjares excelentes
Lhe tinha aparelhados, que a fraqueza
Restaurem da cansada natureza.
Os Lusíadas, X.2.(2,8).

Mil práticas alegres se tocavam;
Risos doces, sutis e argutos ditos,
Que entre um e outro manjar se alevantavam,
Despertando os alegres apetitos;
Músicos instrumentos não faltavam
(Quais, no profundo Reino, os nus espritos
Fizeram descansar da eterna pena)
Cũa voz dũa angélica Sirena.
Os Lusíadas, X.5.1-4.

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«Aqui, só verdadeiros, gloriosos 
Divos estão, porque eu, Saturno e Jano,
Júpiter, Juno, fomos fabulosos,
Fingidos de mortal e cego engano.
Só pera fazer versos deleitosos
Servimos; e, se mais o trato humano
Nos pode dar, é só que o nome nosso
Nestas estrelas pôs o engenho vosso.

Os Lusíadas,
X.82.1-8.

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«Choraram-te, Tomé, o Gange e o Indo; 
Chorou-te toda a terra que pisaste;
Mais te choram as almas que vestindo
Se iam da santa Fé que lhe ensinaste.
Mas os Anjos do Céu, cantando e rindo,
Te recebem na glória que ganhaste.
Pedimos-te que a Deus ajuda peças
Com que os teus Lusitanos favoreças.
Os Lusíadas, X.118.1-2.16.1.jpg
«E vós outros que os nomes usurpais 
De mandados de Deus, como Tomé,
Dizei: se sois mandados, como estais
Sem irdes a prègar a santa Fé?
Olhai que, se sois Sal e vos danais
Na pátria, onde profeta ninguém é,
Com que se salgarão em nossos dias
(Infiéis deixo) tantas heresias?
Os Lusíadas,
X.119.1-4.

camões e o frade na ilha.jpg

.os Lusíadas ed 1572.jpg

.os Lusíadas ed 1584 piscos .jpg

Fonte das 2 Imagens:

 «DICIONÁRIO de LUÍS de CAMões»,
Coordenação de Vítor Aguiar e Silva,1ª edição (Setembro de 2011).

Editorial Caminho.

24.2 edicao 1572.jpg

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«Aos Lusíadas há pois que expungir as estâncias em questão, dum barroco teológico incompatível com a bela ordenança, puro estilo Renascimento, do restante poema. Até sob o ponto de vista dimensional dos cantos, essa ablação se impõe. Com efeito, à-parte o Canto III que conta 143 estâncias, todos os outros orçam pela centena.»

... ... ... ...

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Consultar:

httpss:/alcancaquemnaocansaa.blogs.sapoptt/oslusiadass-poemaepicoo-dez-cantos-156305tcc=186099557332

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Carlos Ascenso André  03.01.2025

Não sou muito entusiasta da ciência dos números aplicada à apreciação de obras literária (uma espécie de aritmosofia na literatura). Mas que há coincidências espantosas, lá isso há. Salta à vista, por exemplo, a quase equivalência dos cantos V e VI. Ora, o canto V é onde está um episódio determinante em toda a narrativa, o episódio do Adamastor, momento da vitória sobre os medos, mas também profecia da história trágico-marítima que viria depois; e o canto VI é o da chegada à Índia. Os dois juntos fazem o centro geométrico do poema. Jorge de Sena foi exaustivo neste tipo de análise e Vasco Graça Moura também (em alguns momentos) usou essa lupa. Saúdo a publicação que se faz aqui pela curiosidade de que se reveste e que abre pistas muito interessantes. Carlos Ascenso André