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| Fotografia da minha autoria |
«Chegou à Primavera a cantar o mundo como um romance»
Os acasos têm um traço impressionante, que nos faz mergulhar sempre numa reflexão descontraída - talvez mais por curiosidade, do que por querermos compreender a questão a fundo. Enquanto procurava a letra de uma música, cruzei-me com a notícia de que Luís Severo tinha lançado um novo álbum. Interessada como sou, não perdi tempo e fui descobri-lo. E aquele que era, até então, um nome desconhecido, passou a figurar na minha lista de preferências. Quanto talento!
O Sol Voltou, como o músico afirma, é um «disco mais sereno». E o seu toque familiar, íntimo, com melodias que ondulam no peito leva-nos numa viagem emocional, que nos ilumina. As canções apresentam «mais amor e menos paixão, mais família e menos multidão, mais vida mas também mais morte». E comprovam, de imediato, a sua qualidade de escrita e de composição. Além disso, há uma alternância entre «o acústico e o eletrónico», numa simbiose perfeita, que nos acalma a alma, mantendo-nos atentos a várias temáticas essenciais ao ser humano - enquanto indivíduo e enquanto parte da sociedade. Neste álbum respira-se alguma melancolia. Felicidade. E muita identidade.
Inevitavelmente, fui escutar os trabalhos que antecederam O Sol Voltou - Luís Severo [2017] e Cara d'Anjo [2015] - e é notória a evolução, bem como a procura por um registo diferente. Por isso, «decidi[u] romper com algum auto-distanciamento fruto das estéticas enfeitadas e de alguma musculatura pop». Como consequência desta opção artística, sente-se o tom confecional. Há, ainda, um contacto mais próximo com a natureza e com as raízes. Há uma aposta nos assuntos de sempre - como o amor e as relações. E muitos estados de espírito. E é esta pluralidade que nos desperta, até porque nos reconhecemos nela: nunca somos uma só coisa, nem estamos sempre no mesmo lugar.
Luís Severo, compreendi assim que me dediquei a explorar a sua arte, tem dado passos seguros no panorama musical. Transborda singularidade e mestria. Sem qualquer dúvida, veio para ficar. E ainda bem, porque é feito de poesia, liberdade, imprevisibilidade. E convida-nos a deambular pelos seus pensamentos camaleónicos. N' O Sol Voltou tenho dificuldade em escolher temas favoritos, pois todos transmitem mensagens cativantes. Porém, tenho uma certeza: isto é precioso. Mas ele arranjará sempre maneira de se reinventar. E de nos surpreender.
