Quando me perguntam qual é o meu livro de cabeceira, eu respondo: “O que eu estou lendo no momento”. Na verdade, essa resposta não é precisa, porque eu não costumo ler deitado na cama; prefiro ler sentado em uma boa poltrona; portanto, os meus livros não estão na cabeceira, mas na mesinha ao lado da poltrona. Eu dificilmente leio antes de dormir; prefiro ficar jogando paciência no celular ou fazer palavras cruzadas, atividades que me dão sono.

Quando me perguntam: “Qual foi o livro que mudou a sua vida?”, eu respondo: “Nenhum!”. O que mudou a minha vida não foi um livro específico, mas exatamente o fato de ter lido muitos livros. Na verdade, a cada livro a mais que eu leio, a minha vida muda um pouquinho.

Quando me perguntam “Pra que ter tantos livros?”, eu respondo: “Não tenho a menor ideia!”. Eles foram se acumulando e, quando vi, eu já tinha uma biblioteca de responsa. Às vezes, eu dou uma geral, desfaço-me de alguns livros para dar lugar, nas estantes, a novas aquisições.

Quando me perguntam “Você empresta seus livros?”, eu respondo: “Sim. Gosto de emprestar livros!”. Acho que livros existem para serem lidos, não para ficarem pegando poeira na estante. A única coisa que peço é que me devolvam, mas não fico chateado quando isso não acontece; não tenho esse apego todo aos meus livros.

Quando me perguntam se eu costumo sublinhar os trechos que acho importantes nos livros que leio, eu respondo que não gosto de ler livros sublinhados por outras pessoas; portanto, como gosto de emprestar livros, considero que outras pessoas não vão querer ler os meus livros se eles estiverem rabiscados. Quando alguma frase ou pensamento me chama muito a atenção, eu anoto num caderninho; é mais fácil de achar depois.

Quando me perguntam “Você leu todos os livros da sua biblioteca?”, eu respondo: “Claro que não!”. Tem vários livros que tenho e que não li. Há ainda os que li, mas dos quais não lembro mais porra nenhuma, e é como se não os tivesse lido.

Quando me perguntam: “Você relê os livros que tem?”, eu digo que não costumava reler, mas, de um tempo para cá, comecei a reler alguns livros dos quais não tenho mais a menor ideia da história, da trama, dos personagens; livros que li na juventude e que ainda estão comigo, principalmente alguns clássicos.

Quando me pedem: “Me indica um livro aí!”, eu fico meio sem jeito. Tenho uma dificuldade danada de indicar livros; sempre acho que o meu gosto é meio exótico e que a pessoa pode odiar um livro que adorei. Eu prefiro apontar para a minha biblioteca e dizer: “Escolhe o que você quiser!”.

Quando me perguntam: “Com tanto livro assim em casa, pra quê você compra mais?”, eu respondo: “Porque comprar livros é muito bom! Não tem nada a ver com ler livros! São duas atividades completamente diferentes que amo fazer!”.

Pra que tanto livro?

Entre leituras, empréstimos, releituras e compras que nunca cessam, o autor reflete com humor e sinceridade sobre sua relação cotidiana com os livros. Mais do que objetos de estima ou troféus de estante, eles aparecem como companhia, acúmulo, memória, descoberta e até esquecimento. Ao longo do texto, fica claro que não foi uma obra isolada que transformou sua vida, mas a soma de muitas páginas lidas, relidas, guardadas, emprestadas e compradas com prazer ao longo do tempo.