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«Galeria de névoa e luz»
Avisos de Conteúdo: Referência a Morte, Tortura, Violação; Linguagem Explícita
A literatura, escreveu Afonso Cruz em Jalan Jalan, amplia a vida de cada leitor. Portanto, quando nos consentem a descoberta de novas vozes, essa partilha só pode ser transformadora. E foi isso que a Adelaide Books Portugal fez comigo, assim que me propôs a leitura da obra poética de estreia de IV. Christian Marr's.
«Em mim há muito não estou presente
E pouco nele me iguala!»
A Inveja das Aves assume um tom melancólico, muitas vezes antagónico, explorando pensamentos introspetivos e/ou focados na sociedade. Dividido em três partes, quase como se estivéssemos na presença de sujeitos distintos, mas interligados, o autor deambula pela noção de pertença, pelo tempo, pelos comportamentos humanos e pela noção de si. Deste modo, posiciona-se num espaço que o permite observar o outro, enquanto analisa o eu. E sem cair na condescendência, tece rotas que marcam uma jornada emocional.
«A liberdade é a sombra que trazes»
Este livro, creio, foi crescendo e revelou-se uma surpresa bastante interessante, visto que há silêncios que conversam connosco e porque nos incentiva a pensar na solidão de outros ângulos. Embora a definamos sempre com sinónimos de névoa, não poderá, também, ser um porto de abrigo? Não poderá ser o impulso que nos falta, quando o ruído exterior se torna ensurdecedor? A resposta é complexa e não pretende, de todo, romantizar os efeitos do isolamento. No entanto, percebemos através destes versos que existem alternativas.
«O meu sonho é o outro lado
Ali ao brotar um, muito mais se desflorou»
A Inveja das Aves é uma catarse. É o renascimento depois de um voo picado até aos recantos da nossa alma.
