06

Fev19

Maria do Rosário Pedreira

Li no Público da semana passada (na véspera da viagem, julgo eu), que os desenhos que as crianças fazem de si próprias variam consoante a pessoa que as observa enquanto desenham (e as respectivas autoridade e familiaridade em relação à própria criança). Assim, se um menino estiver a desenhar o seu próprio rosto ao lado de um polícia que não conhece, é mais susceptível que o desenhe triste; mas, se uma menina estiver a representar-se ao pé da mãe ou de alguém de quem goste e que goste dela, provavelmente o resultado será o oposto, uma carinha risonha. O estudo incluiu 175 crianças de 8 e 9 anos no Reino Unido e foi levado a cabo pela psicóloga Esther Burkitt, que queria provar que a expressividade das crianças varia com a sua audiência (o que podia ser mais ou menos óbvio a nível de reacções ao conhecido/desconhecido, mas já não tanto no que toca ao desenho propriamente dito) . Bem, quando eu era professora, lembro-me de que tínhamos de trabalhar o retrato físico e psicológico na aula de Português e pedir aos alunos que fizessem o seu auto-retrato por escrito. Será que este exercício estará igualmente ligado à «expressividade» e que, tendo uma professora querida e simpática, a miudagem se descreve de uma forma mais positiva e, no caso contrário, deixa sobressair o menos bom? Um psicólogo que o estude – eu cá não sei a resposta.