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| Fotografia da minha autoria |
«Um mergulho nas águas tumultuosas - e tantas vezes turvas - da adolescências»
Gatilhos: Famílias Disfuncionais, Violência Psicológica, Morte, Luto
O livro A Breve Vida das Flores foi tão surpreendente, que senti necessidade de partir para o mais recente da Valérie Perrin com expectativas equilibradas e sem comparações, até porque têm premissas distintas. No entanto, podia ter ido à confiança, atendendo a que a autora voltou a desarmar-me por completo.
UM DOS MAIS PROFUNDOS SENTIMENTOS DA VIDA
Três transita entre o passado e o presente para conhecermos Adrien, Étienne e Nina, e a história que os une. Eles conheceram-se com dez anos e os seus laços foram-se estreitando tanto, que fizeram um pacto: partirem para Paris, juntos, e nunca mais se separarem. Em 2017, «é encontrado um carro no fundo de um lago, no local onde os três amigos cresceram». Qual é a relação entre estes pólos? É isso que vamos desvendar.
«Aquele ano escolar deu-lhe dois amigos e tirou-lhes a inocência»
Histórias centradas num dos mais profundos sentimentos da vida, a amizade, têm o meu coração, sobretudo quando a exploram desde a infância até à idade adulta, já que nos mostram mudanças, fragilidades e fases de maior proximidade ou afastamento. É que as relações, por mais sólidas que sejam, nunca são lineares, portanto, acho interessante acompanhar essa desconstrução e perceber como é que tudo é gerido. E, nesta narrativa, as situações são encadeadas com naturalidade, de um modo bastante relacionável.
«Há palavras que não se consegue reter. Palavras caladas há anos, que nos escapam subitamente»
A construção das personagens, as camadas que vão sendo reveladas e a própria transição temporal, que encaixa cada detalhe na perfeição, são exemplos que demonstram bem o dom da autora. Valérie Perrin é uma contadora de histórias exímia, com uma escrita sensível e, em certas passagens, poética.
«(...) aproximamo-nos das pessoas por causa do que elas emanam»
Houve momentos em que não fazia ideia para onde estava a ir, mas fui sem reservas, porque queria saber mais, queria compreender esta história e as pessoas que a compõem - pessoas essas que poderiam ser nossas conhecidas. Por isso, também fiquei a refletir sobre alguns pontos, nomeadamente: as escolhas que fazemos, aquilo que desconhecemos das nossas pessoas, o longo processo que é a aceitação pessoal e o amor que resiste a tudo - ou que nos leva a assumir um compromisso nesse sentido.
«Fazer de conta que acreditávamos permitiu-nos continuar a viver sem ela»
Três é sobre amizade, transexualidade, violência doméstica, animais e inúmeras questões sociais. Mas, acima de tudo, sinto que é sobre pertencer e saber que existem lugares e pessoas para os quais voltaremos sempre.
🎧 Música para acompanhar: Take On Me, a-ha
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