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| Fotografia da minha autoria |
Tema: Um livro de poesia
Os recantos de Sintra fizeram sempre parte do meu imaginário, porque têm uma luz e uma energia que parecem transportar-nos para um conto de fadas. Quando o nosso encontro se proporcionou, conquistando-me, percebi que é um lugar tão deslumbrante, que senti o ímpeto de a descrever em verso. Por isso, o tema para a acompanhar, no Alma Lusitana, só poderia ser um: poesia. E apanhei boleia do Gonçalo Câmara.
«estou condenado à minha existência
mas sinto que me fujo aos poucos»
Entre o Deserto e a Montanha é um mundo de extremos, no qual deambulamos por poemas mais extensos e versos soltos, mostrando-nos que o curso da vida se assemelha a esta imagem. Porque não há travessias idênticas, dependendo de observações, emoções e inquietações pessoais. Além disso, leva-nos a refletir sobre as pequenas coisas do quotidiano, compreendendo que escondem apontamentos de uma beleza singular. Alternando entre o fugaz e o eterno, é surpreendente a quantidade de vozes que cabem neste manuscrito.
«há de chegar o dia
em que a brisa te levará as palavras
e será o silêncio a contar as histórias»
A poesia «é outra forma de viajar». Mesmo sem identificarmos essas paragens, nesta obra estão poemas que foram escritos durante a passagem de Gonçalo Câmara pelo Sri Lanka, pelo Uzbequistão, pelo Quirguistão, pelo Turcomenistão, pela Colômbia e pela Patagónia. E é na procura pelas palavras que vamos descobrindo a sua forma de pensar - que pode ou não corresponder à dos leitores - e distintos estados de espírito. E esta é uma das razões pelas quais me rendi à sua escrita: porque tem tanto de intimista, como de transversal.
«a poesia é onde eu quero ir
quando nada mais for»
Entre o Deserto e a Montanha divide-se em três pontos centrais - Partida, Deserto, Montanha - e faz-nos reconsiderar as metamorfoses que o ser humano experiencia, sobretudo, quando se fala de amor - próprio ou pelos outros. Com um toque ora suave, ora complexo, é um retrato emocional e metafórico, que nos permite saltar fronteiras, só - e como se isso fosse pouco - para descobrirmos um pouco mais sobre quem somos.
«às vezes só precisava de um lugar
onde pousar o silêncio»
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