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Jul25

Maria do Rosário Pedreira

Quando se deu o 25 de Abril, houve muita gente afecta ao antigo regime que apareceu logo a elogiar o novo (e a sacudir a água do capote). Claro que esse «virar a casaca» foi mesmo muito mal visto pela maioria das pessoas, mas o contrário também acabaria por acontecer: alguém que estivera na luta clandestina ao lado do Partido Comunista de repente era do PSD, baptizava os filhos e casava pela Igreja. É estranho, claro, mas o nosso admirável Julian Barnes, que esteve em Lisboa durante a última Feira do Livro, diz-nos que nem sempre mudar de ideias tem de ter uma carga negativa; e eu acrescento que por vezes é até sinónimo de maturidade. Num pequenino livro chamado justamente Mudar de Ideias, composto por um conjunto de cinco breves ensaios ao estilo que o caracteriza em obras mais longas e densas (como Nada a Temer, por exemplo), Barnes reflecte sobre porque mudamos de opinião a respeito de livros que lemos, da política, da linguagem (sim, as palavras que usamos também vão mudando com o tempo), de nós. É um livrinho bom para um serão, cheio de histórias deliciosas, como aquela ideia de Francis Picabia de que as nossas cabeças são redondas para as ideias poderem mudar de direcção. Um mimo.