12

Set23

Maria do Rosário Pedreira

Na revista que a Livraria Bertrand me envia regularmente por email (obrigadíssima!), descobrem-se factos e recomendações bem interessantes; de uma destas últimas vezes encontrei ali um resumo de um artigo sobre o escritor chileno Roberto Bolaño sobre alguns conselhos que este romancista, contista e poeta (como gostava de considerar-se, embora para nós seja sobretudo um ficcionista) terá dado sobre a escrita de contos. Além de dizer que quem quisesse dedicar-se ao género não poderia falhar de forma alguma a leitura de contos de uns quantos autores (entre os quais estão, obviamente, Cortázar, Rulfo, Tchekhov, Borges, Bioy Casares, Francisco Umbral, Camilo José Cela e Raymond Carver), Bolaño defendia que não se escrevesse apenas um conto, mas mais de um conto ao mesmo tempo, alegando que, de contrário, se ficaria a escrever o mesmo conto até morrer. Chega mesmo a recomendar no seu artigo, a quem tenha energia para tal, que escreva cinco ou seis contos de uma assentada (e, se tiver pedalada, dez ou doze!). O autor de Detectives Selvagens e 2666, que morreu demasiado jovem (aos 50 anos) e decerto com ainda tanto para dar, era o mais promissor escritor latino-americano da sua geração e é dos mais lidos em Portugal. Mas é também, curiosamente, um admirador confesso de Edgar Allan Poe, cujos contos, segundo ele, quase bastariam como material de leitura para quem quisesse ler uma panóplia variadíssima de contos.