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Todos nós que crescemos com um quarto só nosso sabemos que a. determinada altura, ali pelo ensino médio, até ao liceu e, para alguns, até mesmo à faculdade, o nosso quarto se torna o nosso santuário. O sítio onde penduramos pósteres dos nossos artistas preferidos na parede, onde escrevemos diários fechados a cadeado achando que isso impede alguém de os ler, o sítio onde pomos os headphones e ouvimos música, onde conversamos ao telemóvel (deduzo que hoje seja trocar mensagens no Whattsapp) durante horas a fio, onde vemos filmes de terror que escolhemos a dedo no clube de vídeo. O nosso quarto é o nosso mundo.

Em «Todos os quartos vazios», um documentário de 35 minutos, um jornalista e um fotógrafo juntam-se para, durante sete anos, fotografar os quartos vazios de crianças mortas em tiroteios escolares nos Estados Unidos. Aqui, seguimos três casas, três quartos, três crianças, três famílias em três estados diferentes do país. Os quartos estão, tal e qual, como foram abandonados há anos. Quando uma criança ou uma adolescente saiu a pensar que voltava ao final do dia e nunca mais voltou.

Além das famílias, também é interessante a perspectiva do jornalista que, durante anos, tentou encontrar histórias positivas nestes tiroteios, um herói ou uma heroína que fez a diferença e depois sentiu que os tiroteios já não o afetavam. Passava de um para outro como se fosse mais uma notícia. Não é. Não pode ser.

Podem ver a reportagem final (que não aparece no documentário) aqui. Mais fotografias dos quartos das crianças aqui.