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Mai12
Maria do Rosário Pedreira
Hoje faria anos o meu pai, que amava e admirava e de quem sinto diariamente a falta desde que morreu. Fui, também por isso, especialmente sensível a um texto maravilhoso que o jornalista Tiago Bartolomeu Costa escreveu para o Público do dia 25 de Abril sobre o seu pai, que por acaso era furriel miliciano no Quartel de Santarém e acompanhou Salgueiro Maia na noite de 24 para 25 de Abril de 1974 (não ponho aqui o link, porque só os assinantes do jornal têm autorização para ler o texto na Internet, mas sugiro que procurem o jornal desse dia e leiam). Era um texto de uma beleza extraordinária, raro nos dias que correm nos jornais (nos quais a escrita é hoje mais apressada e os assuntos nem sempre piscam o olho à escrita literária), e uma homenagem sentida e comovente de um filho a um pai (eu cá chorei). Na mesma linha, é também assinalável o primeiro texto que José Luís Peixoto publicou, ainda em edição de autor, intitulado Morreste-me, que fala da sua experiência e dos seus sentimentos após a morte do pai – um tributo lírico e belo que muita gente continua a considerar o seu melhor texto. Embora o texto do jornalista tivesse como objectivo contar a história de um companheiro de Salgueiro Maia, os dois textos acabam por confluir na saudade e na admiração dos filhos por pais simultaneamente muito simples e muito especiais.