Na última sexta, pus aqui um excerto do livro Furor Botânico, e houve quem achasse chocho, houve quem tivesse comprado e adorasse. Claro que num excerto não se vê tudo, mas este livro é mesmo muito bonito, qualquer coisa entre memórias e autobiografia e entre um caderno de campo e uma narrativa gráfica. Resumindo: cansada da vida stressante da cidade, a autora, Laura Agustí, decide mudar-se com o seu companheiro para uma pequena aldeia nos Pirenéus. A ideia é passar três meses antes de se atrever a dar o grande salto, mas não demorará a reencontrar-se com um ecossistema familiar que quase esquecera: o da sua infância rodeada de flores, árvores e plantas, bem como de uma estirpe de mulheres comprometidas com o amor e o conhecimento da natureza que lhe instilam o «furor botânico». A sua bisavó Pilar, que curava os desânimos com açafrão-das-índias e hipericão; a sua avó Carmen, com quem Laura apanhava a azeitona; a sua mãe, que ainda hoje lhe manda álcoois para massagens, e a sua irmã Marina, que acalma as birras da filha com óleos essenciais. Entre recordações entrelaçadas com esplêndidas ilustrações, passeios pelos caminhos dos bosques para apanhar cogumelos, projetos para a sua nova casa e conselhos para ajardinar as nossas vidas, Laura revela-nos a exuberância do universo das plantas. E, pronto, para quem gostar de botânica, é tudo menos chocho.

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