Todo leitor tem suas manias. O advento da internet permitiu que muitos hábitos mais se instalassem. Seja marcar seus livros lidos no Skoob  por ordem de estrelinhas; não escolher a próxima leitura antes de fuçar todo e qualquer blog atrás de uma resenha favorável; evitar resenhas online a todo custo; discutir verborragicamente sua leitura no Twitter ou abrir diversos novos tópicos no Meia Palavra. Toda uma nova geração de leitores se acostumou a integrar seu hobby solitário a alguma atividade online.

Como escritora neste blog eu, claro, não fujo à regra. Resenho toda e qualquer leitura, anoto minhas leituras no Skoob, espalho literatura no Twitter e no Facebook como poucos. Mas para mim, a internet ainda é, primariamente, uma fonte de informação e pesquisa. É na internet que busco saber mais sobre a história do autor, de sua época, sobre o assunto da obra.

Tenho, como já atestei diversas vezes, um fraco por romances históricos. Descobri com os eles um gosto bastante acentuado pela História, desde a época da faculdade, lá se vão mais de 10 anos. Numa conversa com um grupo de leitores, certa feita, me questionaram por que, se eu gostava tanto de História, não lia os livros técnicos sobre o assunto. Na época fiquei sem resposta, não soube dizer o que tanto me atraía na ficção com pano de fundo histórico.  Hoje posso dizer que o que me atrai aos romances é a oportunidade de pesquisar na internet.

Adoro sentar-me com um livro com um pacote de post-its, na hora do almoço ou no ônibus de volta pra casa, e marcar os eventos interessantes de um livro. Não raro essas marcações servem como um lembrete para uma pesquisa. Procuro em diversos sites artigos sobre a época descrita no texto, na tentativa de determinar o que ali é ou não real. Começo pela Wikipedia quase sempre, apesar de uma certa desconfiança de seu conteúdo. Busco artigos nos idiomas que conheço, e me foco nos que contém mais referências. Referências estas que são o próximo passo da minha pesquisa.

Se, como em qualquer obra de Tracy Chevalier, a história se trata de uma obra de arte, procuro imagens da referida obra, bem como detalhes sobre seu autor e de sua confecção. Se é um livro de Bernard Cornwell eu aguardo pacientemente chegar nas páginas finais e sua clássica Nota Histórica, e dali vou direto pesquisar sobre a batalha e seus personagens em algum site dedicado ao tema, como o da BBC ou do History Channel.

Se é um livro de viagens, como Paul Theroux ou de memórias de uma cidade, como Paris é uma Festa ou Istambul, ou mesmo biografias, vou direto buscar imagens da época ou do lugar. Em casos mais graves passeio pelas cidades através do Google Street View. Na minha última leitura, o excelente Contra o dia, de Thomas Pynchon, minha mania chegou a um extremo. O foco, neste caso, era descobrir se tal evento ocorrera ou fora inventado pelo escritor, bem como tentar entender algumas das várias teorias científicas.

Talvez por isso a ideia de um livro “interativo”, como o Grau 26 resenhado por nosso colaborador Rubens “Ramalokion”, me desperte a curiosidade. Uma iniciativa multiplataforma parece ser o caminho natural de várias artes, da literatura à fotografia. Até porque para mim o livro, seja em plataforma digital ou em papel, já está repleto de referências e hiperlinks para esta maravilha da nossa época chamada internet.