Cópia de Cópia de Cópia de Cópia de Uma das úMais sobre o livro AQUI

Gosto da escrita da Tatiana Salem Levy. Este é o segundo livro seu que leio e sinto-me sempre cativada pela sua capacidade de me fazer ver o que escreve. É como se eu estivesse a ver a história, a ouvi-la falar e não a ler o que escreveu. Dizia eu esta semana que, sempre que me refiro ao livro “Vista Chinesa”, consigo ver o momento em que a moça é abusada. Arrepio-me. Quero entrar na minha imagem, agarrar no crápula pelo colarinho e arrasta-lo para longe da vitima.

Este “Melhor Não Contar” fez-me estar em casa da autora. Vê-la com a mãe, com as irmãs, com o padrasto. Tenho na minha cabeça a imagem de um homem que nunca vi.

Tocou-me aquilo que tenho de mais próximo com Tatiana, a perda da minha mãe. Sublinhei e anotei todo o livro. Fiquei com outros livros para comprar. Também eu penso que todo o meu choro contém um pouco da saudade que tenho da minha mãe.

É um livro de reflecção, de luto e de coragem. A coragem necessária para seguir em frente, com a dor umas vezes gerida outras adormecida, para contar de peito aberto o que se sente e o que se passou, fazendo-o de forma tão honesta.

Não poderia dar-lhe menos de 5 estrelas.

Do livro fico apenas com 1 página que lamento, um pedaço de texto em que considero que foi injusta com o nosso SNS. Compreendo que descreve o que sente. E compreenderá certamente o que sente quem lê. As regras que o SNS português tem aplicam-se a todos, cidadãos portugueses ou de qualquer outra nacionalidade. Diariamente são salvas pessoas de todas as condições e lugares do mundo. Não se olha custos, olha-se aos parcos recursos. Nem sempre é possível fazer o que se quer como e quando se quer. Mas há liberdade para se fazer o que se precisa e no fim não se olha a preço nem a documentos de origem.