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| Fotografia da minha autoria |
«Esse tempo irreversível parece irreal»
Sou uma menina-mulher
Que cresceu em ambição
Mas tenho um corpo pequenino
Carregado com sonhos de gigante
E continuo, sem ponderar o risco,
A dar passos maiores
Que as minhas pernas
Travo batalhas a dormir
De realidades que enfrento acordada
E as bonecas que arrumei
Na prateleira mais alta do armário
Insistem em tombar
Como se ainda houvesse tempo
Para mais um dia a brincar às casinhas
Os meus olhos cor de hortelã
Esbugalhados e imensos
Que, outrora, memorizavam
Passagens de desenhos animados
Acompanham, agora, as melodias
De um poema de autor desconhecido
Vivo com um pé ali e outro acolá
Saltitando entre um muro que me ampara
E outro que me derruba
Sinto-me pequena neste mundo
Demasiado grande para todas as birras
Que persistem dentro de mim
Sou menina-mulher
Coberta de responsabilidades
Que a vida dos adultos
Nos obriga a assumir
Mas mantenho-me aqui
A pedalar neste limbo existencial
Sem qualquer pressa de crescer.
