“Dizia-se que havia aparecido à beira-mar uma nova personagem: uma senhora com cachorrinho”. É muito provável que você já tenha lido, ou ouvido esta frase em algum lugar. No filme “O Leitor”, só para citar um exemplo. Este é o início de um dos contos “mais conhecidos e mais queridos” do autor russo Anton Tchekhov (em russo: Антон Павлович Чехов) , lançado em dezembro de 1899, e escrito na própria Ialta.

Conta a história da dama com o cachorrinho e do bancário Dmitri Dmitrich Gurov, e de sua paixão nascida num verão mágico. A história em si é bastante simples, quase corriqueira no mundo literário e real. Um caso de adultério que se transforma em amor. Um caso de desejo que se transforma em obsessão. Li o conto em inglês (tradução de 1903, disponível na nossa Biblioteca) e em português; e na leitura do conto em português, quase taxei-o banal. A história mudou completamente quando o li em inglês.

Tchekhov é um homem de poucas palavras. Ele não se demora em descrições e nem mesmo em ações, deixando boa parte do trabalho para a imaginação do leitor. Em compensação, cada palavra é cuidadosamente colocada em seu lugar, com a função de criar um ambiente, um sentimento, uma ação. E a Dama do Cachorrinho ((Download Grátis disponível na Biblioteca Meia Palavra)) é um bom exemplo disso. Em pouco menos de vinte páginas o casal se encontra, a atração se transforma em romance, o romance se transforma em caso, o caso se transforma em obsessão.

Senti-me como vendo um excerto da vida de Anna e Gurov, cujos caminhos trilhados antes e depois ficaram por ser imaginados. A magia de Ialta está nas cores com as quais Tchekhov a descreve, bem como os cenários de Moscow e S…. Com a releitura, passei a ver a maneira quase poética na qual o autor insere seus personagens na história, coisa que a tradução para o português que li (vinda do francês), falhou em captar.

A melhor comparação que me vem à mente são os filmes orientais, como o Herói, nos quais os sentimentos das personagens se insere no ambiente, em forma de cores, luzes e sombras, mais do que na caracterização das personagens. Mesmo quando descreve a primeira decepção de Anna, o descreve como o murchar de uma flor. Não posso falar com mais propriedade, pois não li o conto em russo, mas percebo o porquê deste conto ter sobrevivido aos anos e se tornado figurinha carimbada em tantas listas de melhores.

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